Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de julho de 2020
O deputado Felipe Francischini (PR), novo líder do PSL na Câmara dos Deputados, admitiu uma reaproximação entre Jair Bolsonaro e o partido com o qual ele rompeu, mas fez críticas à condução da crise da Covid-19 por parte do presidente. Para ele, o chefe do Executivo “fez uma aposta errada” sobre o tamanho da pandemia. Disse, ainda, que a dificuldade para a criação do Aliança pelo Brasil fez muitos no governo “pesarem a cabeça no travesseiro”.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast Político, o deputado fez ainda uma autocrítica da direita. “O discurso para fora é único. A direita, desde o começo, pecou muito nisso. A direita é desunida, desagrega entre si. É uma teoria da conspiração que nunca acaba. Acho que isso só a maturidade pode trazer”, afirmou. Confira os principais trechos:
1) Há uma reaproximação do presidente Jair Bolsonaro com o PSL?
Questão de filiação não compete a mim, isso é com a direção do partido. O presidente Bolsonaro me ligou no dia seguinte que assumi a liderança apenas para parabenizar e retomar o diálogo. Ele propôs fazermos uma reunião no Palácio do Planalto. Estou só aguardando algumas questões para podermos fazer uma reunião como essa. O PSL nunca deixou de dialogar com todos os ministros. O que houve realmente foi um afastamento entre a figura do presidente e alguns parlamentares. O tempo passou, houve uma experiência de amadurecimento para todos os lados e, agora, vamos ter mais tranquilidade para propor o que achamos que é importante de política pública. É uma relação que deu uma conturbada e agora está arrefecendo um pouco.
2) Em relação aos “bolsonaristas” que foram punidos e perderam suas prerrogativas partidárias na Câmara, como é o caso do deputado Eduardo Bolsonaro e Daniel Silveira, há chance de perdão?
Essa é uma questão que compete à executiva do partido. Da minha parte como líder, tenho um diálogo aberto com todos os partidos da Câmara. Com bolsonaristas não é diferente. Nossos deputados viram que a briga dentro do Parlamento é uma coisa muita ruim porque você precisa dos outros para construir soluções legislativas. Como temos muitos em primeiro mandato essa foi uma experiência um pouco dura, mas serviu para muita gente amadurecer.
3) Vai acabar a divisão bolsonarista x bivarista (grupo ligado a Luciano Bivar, presidente do partido)?
É uma divisão que não existe. O que é ser bolsonarista? Todos nós nos elegemos numa plataforma de direita em 2018 e continuamos com o mesmo propósito. E o que é ser bivarista? É estar no partido? O partido é uma coisa e o governo outra, são coisas distintas. Desde o começo, quando se criaram esses nomes, não dei muita importância.
4) Um fato que marcava a divisão era que bolsonaristas declaravam migração para o partido a ser criado Aliança pelo Brasil. Mas até agora isso ainda parece algo distante e há quem diga que não vai se concretizar. Isso fez eles se reaproximarem do PSL?
O Aliança gerou expectativas de que poderia estar pronto para disputar as eleições deste ano. Não ficou. É normal que as pessoas comecem a pensar um pouco mais e pesar a cabeça no travesseiro. Quando conversamos pessoalmente muitos viram que a condução do processo que fizemos no fim do ano passado foi ruim. Sempre briguei para que discutíssemos assuntos polêmicos internamente, assim como qualquer partido político maduro faz. O discurso para fora é único. A direita, desde o começo, pecou muito nisso. A direita é desunida, desagrega entre si. É uma teoria da conspiração que nunca acaba. Acho que isso só a maturidade pode trazer.
5) Como deve ficar a situação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), alvo de processos no Conselho de Ética. O partido fará a defesa do filho do presidente?
A quem compete julgar e analisar é o conselho de ética. Temos quatro deputados lá com mandatos de dois anos. A liderança nem que queira não pode tirar os deputados.
6) Como o PSL, segunda maior da Câmara, deve atuar sob sua gestão. Será base do governo?
Governo e Brasil podem contar com o PSL para tudo que acharmos importante dentro do cenário que temos, destruição econômica, incerteza política, de muitos projetos sociais que não avançaram. Nossa bancada é independente e não abre mão de ter sua posição própria.
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