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Colunistas A economia brasileira está navegando em céu de brigadeiro?

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Esse foi o quarto mês seguido de crescimento do nível da atividade econômica brasileira. (Foto: Divulgação)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Ao analisarmos o cenário econômico atual, poderíamos dizer que o Brasil poderia estar navegando em céu de brigadeiro. Defendo sempre que só podemos nos comparar a nós mesmos, porque ao nos compararmos a outras pessoas, nos anulamos. E, no caso do Brasil, não pode ser diferente. O Brasil melhorou muito! E claro, se comparado ao mundo todo, ainda tem muito por fazer.

Aqui, me atrevo a fazer uma análise econômica sob a minha perspectiva. Mesmo que de forma imparcial, em tudo que fazemos temos nosso viés presente (inconsciente ou não) e, nesse caso, como uma empreendedora e otimista por criação, vou preferir me ater às informações que são fatos relevantes e retratam essa visão.

Nos últimos 3 anos, o Brasil vem superando as projeções de crescimento do PIB, sua imagem externa está boa em relação a outros países, a economia apresenta um desempenho melhor do que imaginávamos, ligados principalmente por fatores externos, a inflação está controlada com patamares mais baixos do mundo, foi a moeda que mais valorizou no último ano, a taxa de desemprego está apresentando queda, Selic com expectativas de maior redução e a bolsa brasileira foi a que mais cresceu em 2022 e segue o ritmo em 2023.

Dito isso, todas as iniciativas empreendedoras, sejam elas públicas ou privadas, são bem-vindas e necessárias. Temos um grande potencial para desenvolvimento da nossa indústria, que hoje é pouco explorada, representando menos de 2% das exportações mundiais. Temos frentes de energias renováveis sendo desenvolvidas, descarbonização, infraestrutura, transporte, educação, tecnologia e inovação, transformação digital, sem considerar que ainda nos beneficiamos por sermos um grande exportador de commodities e minério de ferro do mundo.

Ainda temos uma grande possibilidade de expansão de área a ser plantada, sem considerar a nossa reserva ambiental da Amazônia, que por sinal é a maior do mundo. O inconsciente coletivo atrai o viés da negatividade, porque aprendemos assim. Noticiamos o que é ruim porque isso atrai os leitores, mas o Brasil tem o maior trabalho de proteção ambiental do mundo, protegendo ao menos três vezes mais do que o segundo país na escala e precisamos valorizar e comunicar isso.

No Brasil não temos a cultura de nos aproximarmos do governo, por razões que dispensam aprofundamento, contudo o movimento de associativismo, como vem fazendo a Federasul, FIERGS, FIESP, ACIs, entre outras, vem crescendo no país como forma de unir forças da sociedade civil organizada junto ao governo, com o objetivo de redução das barreiras de desenvolvimento.

O fato do sermos o único país emergente geopoliticamente neutro joga ainda mais a nosso favor. Temos um mercado enorme e um elevado potencial de crescimento da economia, o que torna o país mais atrativo para investidores.

Sabemos que o Brasil é um país historicamente devedor e não poupador, e a confiança é extremamente frágil. Isso significa que os investimentos não permanecem no país devido à insegurança política. Se de fato o governo atual mantiver como orientador de seu mandato o “tripé” de estabilidade, credibilidade e previsibilidade e, considerando que “a confiança é o estímulo mais barato da economia”, temos uma grande chance de atração de investimentos externos, com reflexos positivos na economia.

É obvio que precisamos de políticas públicas que favoreçam o ambiente para garantir o desenvolvimento, como a reforma administrativa para acabar com gastos que não fazem sentido e reforma tributária, reduzindo os valores e simplificando a cobrança e gestão.

Se fizermos um retrospecto, quando em nossa história o Brasil não esteve vivenciando um momento de crise? Talvez durante o milagre econômico? Nunca é fácil no Brasil, vivemos em constante emoção (e insegurança). Mas as oportunidades sempre surgem quando ninguém acredita.

Precisamos superar esse complexo de vira-lata, como dizia nosso dramaturgo Nelson Rodrigues e acreditar que o Brasil é o país do futuro, como retratado no livro do filósofo Stefan Zweig. Aliás, o sociólogo Domenico De Masi costuma ter uma visão mais positiva sobre o Brasil do que grande parte dos brasileiros. De acordo com sua visão, o Brasil é o país mais preparado para enfrentar mudanças e desafios, considerando a sua cultura de inovação aberta, colaboração e criatividade.

A economia é projetada no passado, ou seja, de fato não é capaz de prever o futuro. Atualmente, vivemos em mundo complexo, beirando o caos, onde não somos capazes de controlar todas as variáveis. Contudo, é preciso acreditar, arriscar, empreender, estar de olho no futuro e nas novas tendências. O mercado muda, os produtos evoluem, a tecnologia surge e soluções disruptivas são necessárias. Ao final, na economia tudo se resume à lei da oferta e da demanda e, quem arriscar e estiver preparado, voará em céu de brigadeiro.

(Cristíane Cunha é Sócia da Aeromot Aeronaves e Motores S/A, Membro do Fórum de Diversidade do IBGC, Mentora Instituto Ber, Amcham, Membro do COE Sicoob, Diretora da Federasul, Membro da Divisão Jovem de Líderes Empreendedores)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Mario Santana de Almeida
17 de agosto de 2023 13:11

Muito lúcidas tuas palavras. Como dizem, basta o governo não atrapalhar que a gente faz o resto.

Ingo Schulze
17 de agosto de 2023 18:47

Gostei do lido. Mas somos um país colonia do capital estrangeiro (contribuindo para o bem estar deles – condição que lhes é interessante) enquanto nós, internamente, incapazes de gerar poupança interna orientada para o investimento dado o endividamento das famílias pelo uso abusivo do crediário e seu custo, assim como o gasto público elevado com despesas operacionais e juros do endividamento que limitam o investimento público e os recursos para incentivo da atividade privada (BNDES) de forma mais abrangente.

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