Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de janeiro de 2021
A primeira-ministra Nicola Sturgeon disse neste sábado (2) esperar que a Escócia obtenha sua independência do Reino Unido e volte “a se unir” à UE (União Europeia).
Ela ressalta que o Brexit se deu contra a vontade dos escoceses, que se lhe opuseram, por maioria, na consulta sobre o tema realizada em 2016.
Naquele ano, os britânicos como um todo votaram 51,9% a favor do Brexit, enquanto 62% dos escoceses se opuseram a deixar a UE.
“Agora, estamos atravessando um Brexit duro contra nossa vontade, no pior momento, em meio a uma pandemia e a uma recessão econômica”, criticou Nicola Sturgeon no site de seu partido separatista, o SNP, dois dias depois da saída do Reino Unido do mercado e da união aduaneira europeia.
Ela reiterou sua determinação de realizar outro referendo sobre a independência da Escócia, após uma primeira derrota sofrida em 2014, quando 55% dos escoceses disseram “não” à independência.
A decisão de realizar o referido referendo cabe, no entanto, ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que se recusa a fazê-lo. Uma ampla vitória do SNP nas eleições locais em maio poderá aumentar a pressão sobre Londres para aceitar uma nova consulta.
De acordo com a última pesquisa realizada pelo instituto Savanta ComRes para o jornal Scotsman em meados de dezembro, 58% dos escoceses agora apoiam uma ruptura com o Reino Unido, um resultado sem precedentes.
“Como membro independente da União Europeia, a Escócia seria um sócio e poderia construir pontes, não apenas uma ponte para construir uma economia mais forte e uma sociedade mais justa, mas também uma ponte para facilitar as relações entre UE e Reino Unido”, defende Sturgeon.
“Não queríamos partir e esperamos voltar logo como um parceiro de pleno direito”, frisou a premiê.
Futuras relações
O Reino Unido deixou a UE (União Europeia) em 31 de janeiro de 2020, mas as principais mudanças na vida dos cidadãos comuns europeus e britânicos só serão notadas agora em 2021. Neste 1º de janeiro, se encerrou o chamado “período de transição”, em que Londres e Bruxelas mantiveram a maior parte das leis do bloco, enquanto negociavam como seria seu novo relacionamento.
No último dia 24 de dezembro, após vários meses de intensas negociações e quatro anos de turbulência política causada pelo referendo do Brexit, ambas as partes selaram o acordo que definirá suas futuras relações por décadas.
Embora isso tenha evitado o chamado “Brexit duro” – uma saída sem acordo do bloco –, europeus e britânicos não contam mais a partir de agora com as mesmas liberdades de antes.
O Brexit prevê, entre outras mudanças, o fim da livre circulação de pessoas, a imposição de controles aduaneiros e a limitação de serviços que antes fluíam de um lado para o outro sem grandes restrições. As novas regras estão em um documento de mais de mil páginas que também aborda outros pontos, como cooperação climática, segurança e transporte.
Não está descartado, no entanto, que no futuro sejam restabelecidas algumas facilidades perdidas com o Brexit. As informações são da agência de notícias AFP e da BBC News.
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