Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de junho de 2019
O ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, pediu à Fiat Chrysler Automobiles (FCA) “garantias” de que uma eventual fusão com a Renault não provocará demissões nem prejudicará o “interesse nacional”. As informações são das agências de notícias Ansa e Reuters.
Em entrevista à agência Bloomberg, um porta-voz de Le Maire disse que ele se encontrou com o presidente da FCA, John Elkann, no último fim de semana, em Paris. Na reunião, o ministro pediu que a sede operacional do grupo fique na capital francesa e um assento para o governo no conselho de administração.
A França tem cerca de 15% das ações da Renault, que analisa há uma semana uma proposta de fusão com a FCA. A oferta do grupo ítalo-americano prevê que a companhia resultante seja repartida igualmente entre as duas empresas.
O conselho da Renault deve se reunir nesta terça-feira (4) para dar uma resposta à proposta da Fiat Chrysler. A operação não envolve Nissan nem Mitsubishi, que têm uma aliança automotiva com a montadora francesa.
Revisão de relacionamento
A Nissan fará uma revisão de seu relacionamento com a Renault se a montadora francesa aceitar a proposta de fusão com a Fiat Chrysler, disse a montadora japonesa nesta segunda-feira (3). A proposta em discussão “altera significativamente a estrutura da nossa parceira com a Renault”, disse o presidente-executivo da Nissan, Hiroto Saikawa, em comunicado. As informações são da agência de notícias Reuters.
“Isso exigirá uma revisão fundamental da relação existente entre Nissan e Renault”, disse ele, acrescentando que a chegada da FCA como um novo membro da aliança “poderia expandir o campo de pagamentos para colaboração e criar novas oportunidades para novas sinergias”.
A FCA está envolvida em intensas discussões com a Renault, e o governo francês sobre a proposta de fusão de US$ 35 bilhões (R$ 137, 5 bilhões) que fez na última segunda-feira para criar a terceira maior montadora do mundo.
FCA e Renault enfatizaram que querem preservar a aliança Renault-Nissan – já prejudicada pela prisão do ex-presidente Carlos Ghosn, que agora enfrenta julgamento no Japão por acusações de fraude financeira. Ele nega as alegações.
A Renault não comentou a declaração do presidente-executivo da Nissan. Mas uma fonte próxima ao conselho de administração da montadora francesa disse que o posicionamento do executivo poderia ter sido pior. “Se você quer dizer não, você diz não”, disse o porta-voz da Renault, Frederic Texier.
Na última quarta-feira (29), a Nissan havia afirmado à Renault que não se opõe à possível fusão da parceira com a Fiat Chrysler, segundo publicou o jornal japonês Nikkei, quando representantes dos grupos se encontraram para discutir o futuro da aliança automotiva franco-nipônica.
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