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Brasil A greve dos caminhoneiros fez a produção da indústria brasileira recuar 10,9% em maio

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Os dados foram divulgados pela FGV. (Foto: Agência Brasil)

A paralisação dos caminhoneiros ocorrida em maio teve impacto negativo sobre a produção industrial naquele mês. Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (04), a produção da indústria brasileira teve queda de 10,9% em relação a abril, quando havia subido 0,8%.

A taxa de maio foi a pior desde dezembro de 2008, quando o setor recuou 11,2%, e colocou a indústria em patamares próximos aos do fim de 2003. Na comparação com igual período do ano passado, a produção de maio caiu 6,6%. Analistas consultados pela agência Bloomberg estimavam queda de 13,2% na base mensal e de 9,6% na comparação anual.

A mobilização de caminhoneiros começou em de 21 de maio e durou 11 dias. O impacto da paralisação foi sentido nacionalmente. Sem caminhões para entregar a produção agrícola nos centros urbanos, o País registrou desabastecimento de combustíveis e alimentos. Alguns produtos chegaram a triplicar de preços no período.

Também ocorreram perdas na indústria de proteína animal. Criadores de frangos, por exemplo, perderam frangos ainda sem idade para abate devido à falta de ração para as aves. Produtores de leite não conseguiram escoar a produção pelas estradas do País e tiveram que descartar parte do que foi fabricado naquele mês.

Segundo a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), 289 litros de leite tiveram que ser descartados em meio à crise. O setor teria deixado de exportar 120 toneladas de aves e suínos no período. A paralisação teve impacto ainda na indústria têxtil, de celulose e automobilística. A Suzano, empresa brasileira de papel e celulose, por exemplo, divulgou perdas de 80 mil toneladas na produção de celulose. Em papel, as perdas teriam atingido 25 mil toneladas.

Recuos

O recuo de 10,9% da indústria em abril teve predomínio de resultados negativos, alcançando as quatro grandes categorias econômicas e 24 dos 26 ramos pesquisados. Entre as atividades, as influências negativas mais relevantes foram assinaladas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-29,8%) e produtos alimentícios (-17,1%).

Outras contribuições negativas relevantes vieram de bebidas (-18,1%), de celulose, papel e produtos de papel (-13,0%), de produtos de minerais não-metálicos (-14,3%), de produtos de borracha e de material plástico (-10,5%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-15,4%), de outros produtos químicos (-5,6%), de produtos de metal (-10,5%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-12,9%) e de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,7%). Apenas os ramos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,3%) e de indústrias extrativas (2,3%) assinalaram avanços na produção.

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