Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020

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Bem-Estar Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças de até 2 anos não tenham contato com TV, tablet e outras telas digitais

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Brincar mais, dormir melhor e passar menos tempo em contato com telas são os passos apontados para desenvolver hábitos saudáveis ainda na infância. (Foto: Divulgação)

Tomás tem 1 ano e 10 meses e nenhuma relação com TV, tablet e outras telas digitais. É uma criança que visita espaços para brincadeiras, parquinhos e já tem os livros favoritos, até para dormir. A rotina dele segue as recomendações de um guia inédito lançado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) com orientações para crianças com menos de 5 anos.

Brincar mais, dormir melhor e passar menos tempo em contato com telas são os passos apontados para desenvolver hábitos saudáveis ainda na infância. Segundo o documento, menores de 2 anos não devem ter contato com telas; entre 2 e 5, podem assistir à televisão por até uma hora por dia. A publicação ainda sugere leitura e apresenta o tempo de sono recomendado por faixa etária.

“Tem hora que ele está em casa e vamos ao parquinho. A gente abusa desse tipo de espaço. É bom porque gasta energia, chega em casa com fome e dorme. A única interação que tem (com tecnologias) é com telefone para ligar para os avós, mas já estabeleci que não pode ser depois das 17 horas. Minha mãe fica encantada porque, todo dia, na hora da soneca da tarde, ele leva dois ou três livrinhos”, diz a autônoma Juliana Gago, de 36 anos.

Juliana reconhece que é um desafio não apresentar as telas para o filho. “Quando vou fazer a janta, ou é a criança ou é a comida, mas eu penso que vai chegar uma hora que ele vai ter acesso e não vai sair mais.” Pai do garoto, o sonoplasta Samuel Gambini, de 30 anos, diz que a dinâmica da família ajuda a estabelecer limites. “A gente tem o privilégio de trabalhar em casa e ter rotina flexível.” A família está aproveitando que Juliana faz um curso no Sesc Pompeia, na zona oeste da capital paulista, para levar o filho para se divertir no Espaço de Brincar, que oferece atividades para crianças de 0 a 6 anos.

A nutricionista Geisla Marçal Barbosa Franco, de 37 anos, tem uma filha de 1 ano e 1 mês que até já vê desenhos com músicas infantis e evangélicas, mas o acesso não é livre. “Não tem tablet nem celular no carro, muito menos nas refeições. Acho a televisão péssima, porque as crianças ficam hipnotizadas. Ela começou a ter contato a partir dos 10 meses, mas é uma criança muito sociável, que brinca bastante.”

As novas diretrizes foram elaboradas por um grupo de especialistas da OMS, que avaliaram o impacto do sedentarismo e do sono inadequado e verificaram os benefícios do sono de qualidade e da prática de atividade física. Segundo a OMS, inserir hábitos saudáveis nos primeiros anos de vida gera impacto não só no desenvolvimento motor e cognitivo da criança, mas em sua saúde ao longo da vida. Diminuir o tempo que os pequenos ficam sentados, seja vendo TV ou em carrinhos de bebê, também ajuda a evitar a obesidade infantil.

A organização também oferece orientações de atividades que podem ser realizadas pelos pais para evitar momentos de sedentarismo, como jogos mais ativos. Para os períodos em que a criança vai ficar sentada, a recomendação é substituir celulares, tablets e TV por leitura, contação de história, quebra-cabeça e canto. “As crianças expostas ao tempo de tela excessivo têm dificuldade de concentração em atividades do dia a dia, dificuldade para dormir e um sono superficial. Além disso, têm o risco de desenvolver obesidade no futuro”, explica Fernanda Ferrante, endocrinologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil.

Segundo a especialista, crianças que comem diante da televisão acabam criando hábitos alimentares que não são saudáveis. “Elas não prestam atenção no que está sendo ingerido, não têm noção de saciedade e não sentem o sabor dos alimentos. Isso tem uma relação com a obesidade infantil. Elas também ficam dentro de casa, no sofá, quando poderiam estar brincando.”

No novo guia, a OMS oferece orientações de atividades que podem ser realizadas pelos pais para evitar momentos de sedentarismo, como jogos mais ativos. Para os períodos em que a criança vai ficar sentada, a recomendação é substituir celulares, tablets e TV por leitura, contação de história, quebra-cabeça e canto.

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