Além disso, falou sobre a aliança de Cuba com a Venezuela, onde os EUA promovem uma mudança de governo.
Em 2015, o ex-presidente Barack Obama havia retirado Cuba da mesma lista, da qual estava desde 1982, dando um passo fundamental na reaproximação entre os dois países que um ano depois resultaria na retomada das relações diplomáticas.
Biden expressou sua vontade de melhorar as relações com a ilha, restabelecendo algum nível do compromisso iniciado com Obama, mas essa medida pode ser retardada pelas mais recentes.
Para reverter a inclusão de Cuba na lista, por exemplo, o Departamento de Estado deve fazer uma revisão formal que pode levar meses , alertam analistas.
“Mudar essa designação leva tempo”, disse John Kavulich, presidente do Conselho Econômico e Comercial dos EUA-Cuba, depois que a última ação foi conhecida.
Kavulich também assinalou que para o governo Biden a conexão que Trump fez entre Cuba e Venezuela pode ser um problema.
China
Várias decisões sobre a China tomadas pelo governo Trump mais uma vez prejudicaram o relacionamento entre as duas potências.
A primeira delas ocorreu quando Pompeo anunciou o levantamento das restrições aos contatos entre diplomatas americanos e taiwaneses, rompendo com uma política mantida por décadas pela Casa Branca.
A China considera Taiwan como uma parte indiscutível de seu território e rotineiramente descreve o que considera uma “ilha desonesta” como a questão mais sensível em seus laços com os EUA.
Após quatro anos de profunda deterioração nas relações entre as duas potências mundiais, esse último movimento foi visto como uma tentativa do líder republicano de estabelecer uma linha dura contra a China antes de Biden assumir o cargo.
“O governo Biden ficará legitimamente infeliz com o fato de uma decisão política como essa ser tomada nos últimos dias de Trump”, disse Bonnie Glaser, uma das maiores especialistas na relação sino-americana nos EUA.
Somado à decisão sobre Taiwan, houve outro golpe pesado dos EUA contra a China no último dia da presidência sob Trump: o governo americano classificou as ações de Pequim contra os uigures (minoria étnica muçulmana) de Xinjiang como “genocídio” e “crimes contra a humanidade”, o que azedará ainda mais a relação entre os dois países.
Irã
O governo Trump também redobrou sua ofensiva contra o Irã nos últimos dias de sua presidência.
Em 12 de janeiro, Pompeo acusou o país persa de ser “o novo quartel-general” da Al Qaeda e de manter laços estreitos com o grupo extremista.
Pompeo não forneceu provas de suas acusações. Teerã chamou os americanos de “mentiras belicistas”.
Os comentários de Pompeo pouco antes de sua saída foram vistos como uma tentativa de aumentar a pressão sobre Teerã antes da chegada de Biden, que deve tentar retomar o acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis grandes potências, do qual Trump retirou os EUA em 2018.
Soma-se a isso há poucos dias o anúncio do Departamento de Estado de que declarará os rebeldes houthi no Iêmen como uma organização terrorista, uma medida que “está à espera há meses” e que teme agravar a crise humanitária no país.
Os houthis, que são apoiados pelo Irã, lutam desde 2015 contra uma coalizão liderada pelos sauditas no Iêmen, em uma guerra que desencadeou uma das piores crises humanitárias do mundo.


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