Sábado, 28 de Março de 2020

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Colunistas A praça da Apoteose… ou vou para as montanhas

Pego uma carona em texto de Bernardo Mello Franco, da Folha de uns 4 anos. “O Crime compensa na Sapucaí”. Quem controla a festa carioca é uma entidade ligada ao crime. Há escolas dirigidas por milicianos, contraventores e um ex-torturador. Muitos dirigentes já estiveram presos. São reverenciados por políticos e artistas nos camarotes. A TV sabe de tudo e finge. Todos fingem. Jornalistas fingem. Artistas ganham cachês para ir aos camarotes. Convites são disputados a tapa. Tudo é uma grande fancaria. Autoridades vão aos camarotes. E sabem das contas. Em 2012, quando candidato à reeleição, o então Prefeito Eduardo Paes foi cobrado em sabatina pelo jornal O Globo sobre a permanência dos bicheiros etc., no carnaval. Ele respondeu “Chato é, mas vou fazer o quê”? Bingo, Bernardo.

Importantes autoridades (Ministros etc.) frequentam os camarotes. Onde nem tocam samba. Tocam qualquer outra coisa. Muitos convidados dos camarotes não gostam…de samba! Que coisa, não? Recebem cachê.
Prossigo. “Adoro” os comentários dos especialistas no camarote da TV na Sapucaí. “-Aqui a comunidade se puxou…”; “- Esse carro abre-alas representa a abundância da natureza da Guiné Equatorial”; “-A democracia sendo reverenciada pela escola, mostrando a mãe fundadora…”; “- Conheço o irmão do Mestre-sala, que me disse….”. Muita ciência. Muita erudição.

Faltam comentários tipo “Na comunidade x não há muitas milícias?” “O que aquela autoridade está fazendo naquele camarote? Abraçado com um bicheiro?”

Carnaval e o politicamente (in)correto

Há muitas críticas para retirar do carnaval músicas como A Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão. Lembro que, nessa onda do politicamente correto, fizeram uma edição de Monteiro Lobato com notas de rodapé, porque haveria conteúdo racista na obra. Também lembro de gente que queria reescrever ou até reescreveu musiquinhas como Atirei o Pau no Gato.

Ora, músicas como essa do Zezé ajudaram a que os brasileiros se tornassem mais tolerantes. Levar na brincadeira pode ajudar. Carnaval é inversão. Tem de ler Bakhtin. Mas, se alguém quiser, mesmo, discutir esse assunto, tem de responder à pergunta: desde que essas músicas foram feitas até os dias atuais, tornamo-nos mais tolerantes ou não? Se estivermos menos tolerantes, OK. Podemos dizer que, talvez, esse tipo de manifestação deixa as pessoas mais intolerantes.

Penso que melhoramos. Hoje há casamentos homoafetivos, todos os direitos estão assegurados e as novelas já estão carecas de colocar temas sexuais e outros na pauta dos enredos. Do mesmo modo, não parece – pelo menos não há evidencias – de que crianças que cantem Atirei o Pau no gato sejam piores do que as que cantaram musiquinhas da galinha pintadinha.

Lembro que se quisermos corrigir os livros por sua linguagem politicamente incorreta, teremos que reescrever a Bíblia. Sim, fico rindo quando vejo que pessoas, em nome da Bíblia, querem corrigir discursos alheios, quando o livro sagrado está eivado de sexismos, racismos e tudo o que de politicamente incorreto pode existir. Ah, mas temos que saber ler a Bíblia. Bingo. Também acho. E temos que saber ler Monteiro Lobato. E Aristóteles, que não tinha boa opinião sobre as mulheres. E era a favor da escravidão. Putz. Difícil, não?

Letras para você cantar sambando (criação de Renato Terra, da Folha): Lata d’água na cabeça; Lá vai Maria, não vai pra Disney; Sobe o dólar você dança. Acabou essa festança; Não vai pra Disney.

Outra: Qual o paradeiro do Queiroz? Onde é que ele tá? Onde que ele tá? Qual o paradeiro do Queiroz? Onde é que ele tá? Onde que ele tá? Será que ele foi motorista? Será que ele foi assessor? Parece que anda sumido; Ninguém sabe onde ele foi; Corta o sigilo dele!; Corta o sigilo dele!

De minha parte, por não gostar de carnaval, vou estocar comida. Neste carnaval, o cume da montanha pode ser a saída. O cume é o que todos almejam, pois não? Afinal, este é um país de alpinistas sociais, certo? Para quem deseja saber o lema dos alpinistas, busque no Google a propaganda da SKIN.

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