Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de setembro de 2017
O primeiro-ministro da Rússia, Serguei Lavrov, descreveu a escalada verbal entre os presidentes norte-americano, Donald Trump, e norte-coreano, Kim Jong-un, como “uma briga entre crianças de jardim da infância” e pediu calma. “Temos que esfriar as cabeças e entender que precisamos de pausas, que precisamos de alguns contatos”, ressaltou em entrevista coletiva na ONU (Organização das Nações Unidas), à margem da Assembleia-Geral da entidade, realizada anualmente e que cuja edição mais recente ocorreu em Nova York na semana passada.
Na última terça-feira, durante o seu primeiro discurso na entidade desde que assumiu a Casa Branca (em janeiro deste ano), o polêmico líder republicano ameaçou “destruir totalmente” a Coreia do Norte e fez duras críticas ao colega norte-coreano, classificando como um “homem-foguete que está em missão suicida”. Kim retrucou a fala de Trump dois dias depois, descrevendo o presidente dos Estados Unidos como “mentalmente transtornado”. E foi além, advertindo que o seu principal adversário “pagará caro” por suas ameaças.
O chanceler de Moscou disse que a Rússia trabalha com outros países “para alcançar uma aproximação razoável e não emocional”, em vez da seguir pelo caminho adotado entre Washington e Pyongyang, que segundo ele mais parece “uma briga de jardim da infância entre crianças, na qual onde ninguém parece capaz a conter as crianças envolvidas”.
Mediação
“O nosso governo fará questão de dar as boas-vindas a qualquer tentativa de mediar esse grave crise, declarou Lavrov aos jornalistas, acrescentando que o mediador poderia ser uma nação europeia com perfil de “neutralidade”. A Suíça já se ofereceu para a empreitada.
Rússia e China impulsionam uma promessa conjunta de retomar o diálogo com a Coreia do Norte, tendo por objetivo primordial a paralisação dos testes com mísseis balísticos e demais artefatos nucleares de Pyongyang. Em contrapartida, estariam dispostos a acenar com a suspensão dos exercícios militares da Coreia do Sul e Estados Unidos na região.
Apesar dos esforços para colocar “isopor entre vidros”, o governo norte-americano já rechaçou de bate-pronto essa proposta, por considerá-la “insultante”, e se mostra irredutível na posição de não oferecer incentivos a representantes de Kim Jong-Un para que se sente à mesa para uma rodada de negociações.
Sem mencionar os Estados Unidos, Lavrov lamentou que os países que se negam a dialogar sobre o assunto não estejam cumprindo as obrigações previstas nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que recomenda uma resolução pacífica para a crise política internacional, uma das mais tensas dos últimos anos.
Nas últimas semanas, a Coreia do Norte detonou a sua sexta bomba nuclear e voltou a testar – com grande alarde – uma série de mísseis intercontinentais, sob o argumento de que precisa se defender das hostilidades dos Estados Unidos e seus aliados. Para diversos analistas, o impasse se deve, em grande parte, à semelhança de perfis entre os líderes de ambos os países: Kim Jong-un é o Donald Trump de Pyongyang, enquanto Donald Trump é o Kim Jong-Un de Washington. Afinal, ambos são desequilibrados psicologicamente, despreparados para o peso de seus respectivos cargos e não exatamente exemplos de pacifismo.
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