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Brasil A saída de Sérgio Moro do governo provocou uma divisão nos grupos de direita

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Advogados do ex-ministro dizem querer evitar "interpretações dissociadas de todo o contexto das declarações". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A saída de Sérgio Moro do governo provocou uma divisão nos grupos de direita. Militantes bolsonaristas chegaram a queimar camisetas com o rosto do ex-ministro da Justiça na noite de sábado (25), em Curitiba (PR). A cena, transmitida ao vivo nas redes sociais, mostram sete mulheres que tacam fogo com um maçarico em camisetas do ex-ministro aos gritos de “queima no inferno” e xingamentos como “traidor”, “covarde” e “canalha”. “Lembrando Moro, você era empregado de Bolsonaro”, diz uma das militantes na gravação.

O vídeo foi gravado por militantes do ex-Acampamento Lava-Jato, movimento que acaba de mudar o nome para Acampamento com Bolsonaro, sinalizando o novo alinhamento. O grupo nasceu no auge da Operação Lava-Jato e acampou durante meses na praça em frente ao prédio da Justiça Federal, em Curitiba, onde trabalhava o ex-juiz.

Outro grupo que também abandonou o ex-ministro é o Direita Paraná, que atribui a renúncia a uma questão de “vaidade”. “Foi infantilidade da parte de Moro largar o Brasil agora, acreditamos sim na acusação [de Bolsonaro] que a ideia era realmente ir para o STF [Supremo Tribunal Federal]. Praticamente largou o barco num momento crítico, de pandemia, e isso nos atrapalhou muito”, argumenta o presidente, Renato Gasparin Jr.

Nas eleições de 2018, Bolsonaro obteve 76,5% dos votos em Curitiba no segundo turno. A capital do Paraná teve a terceira maior votação do atual presidente, atrás de Rio Branco (AC) e Boa Vista (RR). Já Moro foi considerado um herói da luta contra a corrupção e símbolo da República de Curitiba pelos grupos da direita.

Já o grupo Curitiba Contra Corrupção declarou ter rompido com o presidente. “Infelizmente pessoas de mente fraca aderiram à ‘seita do santo mito’, ou seja, perderam o senso crítico e engolem tudo sem criticar o que o mito falou. E ainda agridem e ameaçam quem discorda”, explica Narli Resende, representante do grupo.

Em nota, o movimento elogia Moro por preferir “abrir mão de um alto cargo no governo a trair seus compromissos e suas promessas”. “O que aconteceu é que os que apoiam a Justiça e o combate à corrupção nunca tiveram políticos de estimação. Se errar tem que pagar. Esse sempre foi nosso pensamento”, afirma Narli.

Até a Abrabar (Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas de Curitiba) lançou campanha “FechadocomMoro nas redes sociais ao ex-magistrado. “Estamos mobilizando as pessoas independentes da classe artística, atletas, juristas, profissionais liberais, autônomos, trabalhadores e empresários e todos da sociedade civil organizada a manifestar apoio ao cidadão Sérgio Moro”, diz o presidente Fábio Aguayo.

Em Brasília, militantes do presidente fizeram uma carreata e ato de apoio na Esplanada dos Ministérios. O ato se concentrou em ataques ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e, principalmente, contra o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Houve placas pedindo o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e uma nova Constituição “anticomunista”.

Em um dos carros de som, um apoiador criticou Moro e disse que ele sempre esteve a serviço do PSDB, nunca investigou os tucanos e agora se “aliou ao Centrão para tirar Bolsonaro do Palácio” –  ignorando que é o próprio Bolsonaro que está, há um mês, negociando com os caciques dos partidos do Centrão a nomeação de aliados políticos deles para cargos no governo em troca de apoio na Câmara.

O ato próximo ao Congresso reunia cerca de 100 pessoas, vestidas com a camisa da Seleção Brasileira de Futebol ou camisetas amarelas e verdes. Já os carros tomavam as seis faixas entre a Catedral de Brasília e o Ministério das Relações Exteriores, um percurso de apenas um quilômetro, segundo o Google Maps.

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