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Mundo A vacina da AstraZeneca protege contra Covid-19 grave provocada pela variante sul-africana, diz cientista

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Imunizante tem papel importante na redução da curva epidemiológica. (Foto: Divulgação)

O líder do estudo clínico da vacina AstraZeneca na África do Sul, que levantou riscos do imunizante não proteger contra a variante do coronavírus detectada na África do Sul, disse nesta segunda-feira (8) que o fármaco contra a Covid-19, desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido), previne doenças graves causadas pela linhagem sul-africana. Os resultados preliminares do trabalho levaram à suspensão do uso do fármaco pelo país africano.

Shabir Madhi, principal investigador do estudo e reitor da escola de medicina do Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, disse que, quando analisado se a vacina evita doenças graves, o imunizante da AstraZeneca pode ser comparado ao da Johnson & Johnson, que indicou uma eficácia de 66%.

“Ainda há alguma esperança de que a vacina da AstraZeneca possa desempenhar tão bem quanto à da Johnson & Johnson em uma faixa etária diferente quanto a doenças graves”, disse Madhi à BBC Radio.

Andrew Pollard, que chefiou os ensaios clínicos da AstraZeneca conduzidos pela Universidade de Oxford no Reino Unido, disse que os resultados eram esperados.

“Esse estudo confirma que a pandemia do coronavírus continuará a encontrar brechas para se disseminar entre a população imunizada, como esperado. Mas, levando em conta os resultados promissores de outros estudos na África do Sul utilizando vetores virais similares, os imunizantes devem continuar aliviando o quadro epidemiológico nos sistemas de saúde pela prevenção contra a forma grave da doença”, disse Pollard.

Ameaça das mutações

A fórmula da AstraZeneca era uma das principais apostas do continente africano por ser barata e de fácil armazenamento e transporte, ao contrário da vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, que precisa ser mantida a -75°C.

A variante da África do Sul, tecnicamente chamada de 20I/501Y.V2 ou B.1.351, já circula em 41 países, inclusive os Estados Unidos.

O estudo conduzido na África do Sul, que levou à suspensão do uso da vacina no país, envolveu 2 mil voluntários com idade média de 31 anos, um universo de voluntários considerado pequeno e com faixa etária restrita para cravar conclusões definitivas sobre a eficácia geral da vacina na proteção contra a Covid-19, em especial no âmbito de hospitalizações ou mortes. Os resultados ainda não foram revisados por pares científicos.

Dos 39 voluntários do estudo da AstraZeneca infectados com a nova variante sul-africana, 19 receberam a vacina, enquanto 20 receberam um placebo, informou Shabir Madhi.

Esses números implicariam em uma taxa de eficácia de cerca de 10% na proteção contra Covid-19 leve e moderada da nova variante. Madhi acrescentou que os dados são muito limitados para serem estatisticamente significativos.

As autoridades de saúde sul-africanas informaram que consideram retomar o uso da vacina AstraZeneca/Oxford no país caso outros estudos mostrem que há proteção contra a forma grave de Covid-19 causada pela nova varianet.

O estudo aumentou as preocupações de que as mutações do vírus possam tornar as vacinas existentes menos eficazes e que elas precisem ser atualizadas para proteger contra novas cepas.

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