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Notícias A yoga como tratamento complementar no combate à enxaqueca

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No estudo, os pacientes que uniram a yoga aos remédios tiveram uma diminuição de 48% nos episódios de enxaqueca. (Foto: Reprodução)

Novo estudo publicado no periódico científico Neurology neste mês de maio aponta que a yoga é muito eficaz como terapia complementar no combate à enxaqueca, ajudando a terapia tradicional e medicamentosa a chegar a melhores resultados. Segundo o estudo, levado à frente por pesquisadores do Instituto de Ciência Médicas de Nova Délhi, na Índia, acrescentar a yoga ao tratamento pode tornar as enxaquecas mais curtas, menos frequentes e menos intensas. O que seria um alívio para muitas pessoas, já que os medicamentos mais comuns não fazem efeito em boa parte dos indivíduos que sofrem com o problema. Afinal, a dor de cabeça é uma das queixas mais frequentes da população em geral. Mas quem sofre de enxaqueca enfrenta essas dores com maior frequência, e em intensidade debilitante.

No estudo, 114 pacientes foram analisados por um período entre abril de 2017 e agosto de 2018. Metade ficou no grupo que recebeu apenas medicamentos como tratamento, e a outra metade foi para o grupo que uniu medicamentos e yoga. Em relação à frequência, o grupo só dos remédios tinha inicialmente uma média de 7,7 episódios de enxaqueca por mês, e caiu para 6,8, num decréscimo de 12%. Já o grupo que uniu a yoga aos remédios começou com uma média de 9.1 enxaquecas por mês, e ao final caiu para 4.7, numa importante diminuição de 48%.

Causas

Consumo de açúcar, chocolate, queijos, embutidos, alimentos ultraprocessados, café e bebidas alcoólicas em excesso; Tabagismo; Alterações hormonais; Perfumes; Estresse; Sono não restaurador ou insônia.

“Geralmente, a enxaqueca é causada por uma vasoconstrição cerebral. Para que isso ocorra, vários fatores têm influência, como estado emocional e alimentação. Algumas substâncias presentes em alimentos como o chocolate, o tanino do vinho e queijos com algumas gorduras podem desencadear dores de cabeça. Outro fator a ser ressaltado é o quadro emocional das pessoas, pois este tem grande destaque na aparição de enxaquecas. Neste período de pandemia, em que as pessoas estão enclausuradas e preocupadas, o estresse pode ser um fator determinante”, explica o neurocirurgião Cezar Augusto de Oliveira, especialista em dores crônicas.

Cezar ressalta ainda a importância de exercícios como o yoga no tratamento das cefaleias, pois eliminam o estresse e trabalham a consciência corporal, resultando na liberação de hormônios de endorfina e serotonina pelo corpo. Estes, por sua vez, causam sensação de bem-estar, com efeitos analgésicos sobre as dores.

O que é e sintomas

De acordo com o neurocirurgião, a enxaqueca possui uma característica única: dores fortes atrás do olho, comumente associadas à fotofobia, ou seja, causa dificuldade em ambientes claros.

“Ela pode começar de maneira forte, pulsátil e com o acompanhamento de uma aura enxaquecosa (luzes piscando). Essa condição pode causar sensibilidade à luz, incômodo aos ruídos do ambiente e, quando muito forte, pode causar vômito. Há relatos também de pessoas que sentem um cheiro diferente”, descreve Cezar.

A cefaleia é dividida em subtipos, apresentando impactos diferentes em cada um deles. Confira a seguir os dois principais tipos:

Cefaleia Primária – quando não há nenhum problema estrutural ou anatômico, como tumores, aneurismas, anomalias ósseas ou anatômicas provocando a dor de cabeça. Várias pesquisas demonstram que nestes casos há apenas alterações químicas presentes nas pessoas com este tipo de cefaleia. Exemplos clássicos das cefaleias primárias são a cefaleia tensional e a enxaqueca.

Cefaleia Secundária – são as dores relacionadas a outras causas, como sinusites, distúrbios de articulação temporo-mandibular (ATM), tumores no cérebro, aneurismas cerebrais, meningites, hidrocefalias, sinusites, miopia, AVCs etc.

De acordo com o médico, um dos principais quadros de enxaqueca está relacionado ao prejuízo da vida social.

“Quando a dor se manifesta, a pessoa, muitas vezes, precisa se isolar devido aos incômodos da própria dor, da sensibilidade à luz, dos ruídos e/ou dos vômitos. Isso pode reduzir o convívio dentro dos círculos de amizade e prejudicar o trabalho e os compromissos que a pessoa possa ter. Há estudos sobre uma possível relação entre a enxaqueca e o risco de AVC e infarto, por isso é importante registrar as crises e ter o acompanhamento de um especialista”, destaca o neurocirurgião.

Portanto, enquanto não há a cura, é importante procurar controlar as emoções e eliminar os fatores desencadeantes da enxaqueca, sobretudo nestes dias de pandemia. Segundo Cezar, apesar da distância dos amigos e familiares, o afeto deve ser mantido, pois é o melhor tratamento para todas as doenças.

Tratamentos e o papel da yoga

Existem inúmeras opções de tratamentos medicamentosos para a enxaqueca, tanto para prevenir quanto para aliviar os sintomas. No entanto, segundo o neurocirurgião, a melhor opção é o autoconhecimento para evitar os fatores desencadeantes.

“Se não for possível evitar os fatores, podem ser realizadas tentativas com os medicamentos triptanos, que entram em cena para inibir a inflamação que causa a dor. Já os medicamentos profiláticos, como antidepressivos, analgésicos e vasodilatadores, não têm efeito comprovado. Alguns médicos também oferecem o uso de botox para impedir a contratura da musculatura e, assim, tentar evitar a enxaqueca. A melhor opção vai depender da situação do paciente”, explica o profissional, ressaltando a importância da atividade física na melhora do quadro.

Yoga no combate às enxaquecas

De acordo com a pesquisa citada no início do texto, para pacientes com enxaqueca episódica, constatou-se que o yoga como adjuvante à terapia médica melhora a frequência, a intensidade, o impacto e a incapacidade da dor de cabeça. O autor do estudo dá ênfase para os benefícios que o yoga traz e ressalta que a prática é simples e acessível, sendo necessário apenas um tapete e seguir algumas técnicas.

Reforçando os dados levantados no artigo científico, a instrutora de yoga Adriana Camargo também pôde comprovar na prática como o yoga melhorou o quadro de seus alunos. Segundo ela, os praticantes das técnicas diminuíram e, em alguns casos, até pararam de sofrer com episódios de enxaqueca, além de outros tipos de dores físicas e condições emocionais. Tendo isso em vista, a profissional ensina abaixo exercícios de relaxamento, como a meditação, e técnicas de respiração e postura que ajudam no controle emocional e, consequentemente, no combate às enxaquecas.

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