Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de junho de 2020
Por meio da operação denominada “Sete Chakras”, nesta segunda-feira Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) da Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu preventivamente em Canoas (Região Metropolitana) um terapeuta holístico e fez uma série de apreensões. Ele é alvo de denúncias por clientes que relataram terem sido submetidas à “terapia sexual” como forma de tratamento.
A ação foi motivada pela ocorrência, em maio, de registros policiais sobre violência sexual praticados pelo investigado, inicialmente contra duas vítimas. Segundo elas, o suspeito realizava atendimentos particulares de psicoterapia e terapia holística, atendendo também em Porto Alegre. Ele ainda se apresentava como palestrante, escritor, professor e especialista em áreas como física quântica e procedimentos como apometria sistêmica.
Quando as vítimas informavam a ele que sofriam de algum problema íntimo de cunho sexual, o homem iniciava uma aproximação física que costumava evoluir para o contato sexual. Em pelo menos uma das pacientes ele evoluiu para a prática sexual com o coito propriamente dito, mediante penetração vaginal ou anal.
“Durante as sessões, ele iniciava com conversas e posteriormente evoluía para contatos físicos com toques no corpo da paciente, aproximando-se a cada sessão, quando então sugeria que elas o tocassem e fizessem sexo oral nele ou o masturbassem”, detalhou a Polícia Civil gaúcha.
Exploração financeira
Diversas clientes que haviam se submetido à terapia individual com o suspeito também realizaram cursos e participaram de palestras ministradas pelo terapeuta, que prometia crescimento pessoal, profissional e financeiro para quem frequentasse as suas atividades. Segundo a Delegacia Especializada, em alguns casos a despesa pessoal da cliente chegou a valores em torno de R$ 25 mil.
Em comum, as vítimas apresentavam intensa fragilidade emocional. O terapeuta era visto como um “mestre” para elas e, valendo-se dessa confiança, obtinha das mulheres o sigilo sobre as técnica nada convencionais que utilizava nos “tratamentos”.
A delegada Clarissa Demartini, titular da Deam e coordenadora da ação, ressaltou a importância da prisão realizada nesta segunda-feira: “Isso tem um caráter repressivo contra o abusador, bem como serve de incentivo para que outras mulheres se sintam encorajadas a denúncias possíveis abusos sofridos”.
(Marcello Campos)
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