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Carlos Roberto Schwartsmann Adeus boa medicina

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Uma das políticas mais nefastas na educação médica foi a introdução filosófica governamental de que todos deveriam ser universitários. Ao invés de fomentar e fortalecer o ensino básico foram criadas dezenas de faculdades no país, nas mais diversas áreas.

Até o final do século passado o Brasil possuía menos de uma centena de faculdades de medicina. Hoje possuímos 353! Só a Índia tem um número maior, mas tem uma população de um bilhão e duzentos milhões de pessoas.

Obviamente, neste período não conseguimos criar um corpo docente qualificado para suprir esta insana demanda. Hoje formamos uma enxurrada de médicos despreparados que não sabem ouvir nem examinar os pacientes. Tem pouca experiência clínica e não sabem usar o estetoscópio, o esfigmomanômetro, o diapasão e o martelo.

Hoje as faculdades particulares são 70% das escolas médicas. A maior parte, todas autorizadas pelo MEC, não possui hospital escola.

As instalações e os laboratórios são inadequados para o ensino das cadeiras básicas. Não tem cadáveres!! Recentemente houve um protesto de alunos de uma faculdade de medicina de São Paulo intitulado: “Um grito de ajuda”. Os alunos do 5º ano, faltando dois anos para receberem o diploma, ainda não tinham examinado pacientes de verdade.

Pior, não tinham onde cursar o internato. Um cartaz dizia: “Em boneco de plástico já sou doutor”.

Estes acadêmicos de medicina querem um internato de verdade. Não querem brincar com robôs, computadores ou centros de simulação! Não querem um hospital virtual com pacientes virtuais.

Querem examinar e tocar no paciente. Escutar suas angustias, suas queixas, suas necessidades físicas e emocionais. Bonecos não tem dor! Não sangram! Não falam!

E mais, estas faculdades são caras e os alunos pagam de 8 a 15 mil reais por mês!! São altamente seletivas, pois, são só para famílias abastadas

O ensino da medicina no nosso Brasil se tornou uma mercadoria muito rentável. O “mercado” da medicina movimenta 12 bilhões de reais por ano e corresponde a 25% do faturamento total do ensino superior

Em 2019 o governo instituiu uma moratória de cinco anos proibindo a abertura de novos cursos de medicina. Após essa disposição legal, imediatamente, houve uma corrida para conseguir abertura de novos cursos. Foi criada uma fantástica rede de consultores e advogados que requerem liminares contra a nova regra. Hoje já existe cerca de 200 ações judiciais em trâmite!!

Hoje, lamentavelmente e tristemente a medicina no Brasil está completamente desorientada! Perdeu seu rumo! Perdeu sua alma! Adeus boa medicina!

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Fernando Krause
23 de março de 2023 09:58

E o pior, Dr. Prof., o “novo-velho” Mais Médicos lulopetista quer novamente trazer “médicos” estrangeiros, desobrigando os mesmos do Revalida.

Vanderlei Ochoa
23 de março de 2023 10:17

O ESTADISTA LULA vai resolver muitos problemas no Brasil. Não se preocupe. Pena que os “Médicos tradicionais” que se formam geralmente em UNIVERSIDADE PÚBLICAS não se interessem em participar do programa MAIS MÉDICOS do governo Lula, para darem assistência nos mais longínquos certões do Brasil. Por isso precisamos de mais Universidade e programas como SISU e prouni. Gente formada por esses dois programas sociais, não têm medo de trabalhar pelo povo pobre e desvalido.

Getulio Dos Santos Dias
24 de março de 2023 00:08

Carlos Roberto, aonde estão os médicos brasileiros? Formam-se milhaes deles por ano. Estão escondidos? Não querem trabalhar? E aí?

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