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Economia Agronegócio brasileiro aposta que pode vender mais soja após a vitória de Donald Trump

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Nos bastidores, a chance de restrições comerciais dos americanos ao Brasil também é minimizada pelos produtores rurais. (Foto: CNA/Wenderson Araújo/Trilux)

A vitória de Donald Trump na eleição presidencial americana foi bem recebida no agronegócio brasileiro. Para além de uma comemoração por proximidade ideológica, lideranças do setor afirmam que a troca de guarda na Casa Branca poderá resultar em aumento nas exportações brasileiras de soja.

O cálculo do agro se dá frente à política protecionista e antiglobalista do republicano eleito. Se Trump impuser tarifas comerciais à China, como tem prometido, o país asiático deve retaliar e deixar de comprar dos Estados Unidos, maiores concorrentes do Brasil na oferta de soja e milho.

Nos bastidores, a chance de restrições comerciais dos americanos ao Brasil também é minimizada pelos produtores rurais. Após dizer que a eleição de Trump seria um “nazismo com outra cara”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou nesta quarta-feira (6) o candidato eleito.

Promessas

Em sua candidatura, com JD Vance como vice-presidente, Trump prometeu adotar políticas de corte de impostos, redução da inflação, recuperação da indústria e endurecimento das políticas contra a China e a imigração. Essa agenda pode impactar diretamente o comércio global, especialmente o setor agrícola, com potenciais efeitos nas relações comerciais com a China.

Em 2018, Trump iniciou uma guerra comercial com a China, impondo tarifas sobre produtos chineses, incluindo eletrônicos da Huawei. Em resposta, a China aplicou tarifas sobre produtos agrícolas dos EUA, como soja, milho e trigo. O Brasil se beneficiou dessa situação, tornando-se o principal fornecedor de produtos agrícolas para a China, com aumento nas exportações de soja, milho, carne de frango, celulose, açúcar e café.

No entanto, a possível reintrodução das tarifas pelos EUA coloca em risco esse comércio. Um relatório da National Corn Growers Association (NCGA) e da American Soybean Association (ASA) alerta para prejuízos de bilhões de dólares para os agricultores americanos.

Entre 2018 e 2019, as perdas com exportações agrícolas dos EUA para a China ultrapassaram US$ 27 bilhões, com 95% dessa cifra atribuída às tarifas chinesas. Se a China voltar a aplicar tarifas sobre os produtos agrícolas dos EUA, as perdas seriam ainda maiores, impactando diretamente soja e milho. O Brasil precisaria ampliar suas exportações para atender à demanda chinesa, o que aumentaria a pressão sobre o setor agrícola brasileiro. Trump, por sua vez, afirmou que o agronegócio será tratado como outros setores, sem intervenções, mas com a reformulação do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), limitando políticas agrícolas existentes.

Projeção

Na última segunda-feira (4), TF Agroeconômica projetou como a vitória de Trump poderia impactar os preços da soja. A resistência técnica na faixa de US$ 980 para janeiro de 2025 tem se mantido, mesmo com oferta superior à demanda. Se Trump vencer e reiniciar a guerra comercial, os preços de Chicago poderiam cair, enquanto os preços no Brasil aumentariam. Caso contrário, sem novas tarifas, os preços globais tenderiam a cair.

Além disso, uma possível deportação em massa de imigrantes gera incertezas, especialmente em estados como a Califórnia, que depende de mão de obra estrangeira para a produção agrícola. Essa proposta pode afetar negativamente a produção agrícola nos EUA, apesar de ser complexa e custosa de implementar rapidamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e do site AgroLink.

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