Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 26 de agosto de 2026
Sem conseguir ampliar suas alianças partidárias na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldades também nos palanques estaduais. Candidatos que orbitam seu campo político têm evitado associar suas campanhas à imagem do senador. Em materiais de campanha, Flávio não aparece; em outros casos, lideranças como Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira ganham mais destaque.
Um dos casos que geraram incômodo foi o de Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná. Materiais colocados nas ruas pelo ex-juiz não fazem menção a Flávio, apesar da tentativa do presidenciável de construir palanques nos estados.
Moro não é um caso isolado. JHC, em Alagoas; Eduardo Riedel, em Mato Grosso do Sul; ACM Neto, na Bahia; e Ciro Gomes, no Ceará, também vêm mantendo Flávio fora de seus materiais. O resultado é semelhante: candidatos competitivos evitam vincular suas campanhas ao nome que o PL tenta consolidar como principal representante da direita na corrida ao Planalto.
O caso de JHC explicita o cálculo. Embora o PL faça parte da aliança estadual em Alagoas, o candidato ao governo busca preservar neutralidade na disputa presidencial e deve evitar até um encontro público com Flávio durante a primeira viagem do senador ao Nordeste nesta semana. A estratégia também alcança sua mulher, Marina Candia, candidata ao Senado pelo PSDB, embora Flávio já a tenha citado entre os nomes que espera ter em seu palanque.
Enquanto Flávio tenta ampliar sua presença em regiões onde enfrenta resistência, parte dos aliados procura separar a disputa local da eleição presidencial. A campanha aposta, por exemplo, no desempenho de Ciro no Ceará e ACM Neto na Bahia para ajudar a desidratar Lula no Nordeste, mesmo sem transformá-los em palanques formais do senador.
A ausência de Flávio também aparece dentro do próprio PL. Entre candidatos ao Legislativo, o espaço que poderia ser ocupado pelo presidenciável é preenchido principalmente por Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro.
Deputado mais votado do país em 2022, com 1,47 milhão de votos, Nikolas é quem mais aparece nas propagandas de candidatos de Minas. Pedro Luiz, candidato a deputado estadual, divulgou santinhos em que menciona apenas o parlamentar mineiro.
A preferência por Nikolas também é motivada pelo alcance nas redes sociais. O deputado soma 22,1 milhões de seguidores no Instagram, quase o dobro dos 11,3 milhões de Flávio. Em Pernambuco, Thiago Medina, candidato a deputado federal, tem feito diversas publicações ao lado de Nikolas, mas apenas uma com Flávio.
A associação ultrapassa o PL. Em Roraima, Athally Albuquerque (Republicanos) se apresenta como a “única candidata a deputada federal do Nikolas em RR”. Em Santa Catarina, Bia Borba (Novo) também se define como “candidata do Nikolas Ferreira” no estado.
O movimento provocou cobranças de perfis ligados à direita. Alguns candidatos que aparecem repetidamente com Nikolas passaram a ser chamados de “nikolistas”, em crítica à associação mais direta com o deputado mineiro do que com Flávio.
Entre os alvos está Lucas Pavanato, candidato a deputado federal pelo PL. Um vídeo mostra o candidato colando um adesivo em que aparece ao lado de Nikolas, sem Flávio. Pavanato afirma que os dois têm “valores em comum e estratégias políticas parecidas” e rejeita que isso represente afastamento do presidenciável.
A cobrança reflete uma disputa por protagonismo entre lideranças da direita. Enquanto Nikolas é tratado como um dos principais puxadores de votos do campo bolsonarista, uma ala vê seus movimentos com desconfiança e avalia que o deputado começa a construir trajetória própria.
Flávio procurou reduzir a tensão. Em vídeo divulgado nesta semana, reconheceu Nikolas como uma liderança com potencial para disputar a Presidência no futuro.
Michelle também tem sido privilegiada em materiais e agendas de aliados. É o caso de Celina Leão (PP), candidata à reeleição ao governo do Distrito Federal. Embora seja apoiada pelo PL, segundo interlocutores, ela não pretende participar de atos ao lado de Flávio. A ex-primeira-dama, por outro lado, é uma de suas principais cabos eleitorais e participou da abertura da campanha.
Em Roraima, Kátia Araújo, candidata a deputada federal, afirmou em vídeo que ter o apoio da “eterna primeira-dama Michelle Bolsonaro” torna sua caminhada “ainda mais especial”, sem publicação recente equivalente com Flávio. Em Mato Grosso, Gislaine Yamashita, candidata a deputada federal e presidente estadual do PL Mulher, também tem dado destaque a Michelle. (Com informações do jornal O Globo)
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