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Você viu? Alimentos à base de insetos já podem ser consumidos nos hipermercados de Portugal

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Pelo menos 10 lojas vão oferecer nas prateleiras os produtos feitos à base de larva de Tenebrio molitor. (Foto: Reprodução/Facebook)

Alimentos à base de insetos já podem ser consumidos nos hipermercados de Portugal. Pelo menos 10 lojas vão oferecer nas prateleiras os produtos feitos à base de larva de Tenebrio molitor, mais conhecido como “bicho da farinha”, que serão comercializados após a autorização da Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV).

Os produtos em questão são uma alternativa sustentável e versátil: barrinhas de proteínas à base de farinha de inseto – nas opções de sabores de chocolate e amêndoa; figo e laranja; maçã e canela; e manteiga de amendoim e mel – os snacks de insetos desidratados ( temperados com pimenta cayenne ou sal marinho) e a farinha de inseto. O custo ficará entre 1,79 euros e 9,95 euros.

A produção é da empresa Portugal Bugs, que nasceu em 2016 quando um dos fundadores, Guilherme Pereira, foi desafiado a desenvolver uma barra proteica com incorporação de farinha de inseto para o projeto final do curso na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Durante uma pesquisa feita pela empresa em 2017, “mais de 60% da população dizia não estar disponível para incorporar este tipo de produtos na sua alimentação diária”. No entanto, hoje esse número foi reduzido pela metade.

Os alimentos vão estar disponíveis através de encomendas online em Lisboa e Porto e em 10 hipermercados Continente: Matosinhos, Colombo (Lisboa), Gaia Shopping, Gaia Jardim, Telheiras, Oeiras, Vasco da Gama (Lisboa), Cascais, Antas (Porto) e CoimbraShopping.

Comer inseto faz bem

Professor de entomologia tropical (estudo dos insetos), o holandês Van Huis afirma que uma dieta que inclua insetos para substituir carnes em geral é saudável. Além disso, faz bem para o planeta, principalmente por demandar um uso bem menor de terra quando comparado à pecuária.

Em agosto de 2019, o Greenpeace calculou, com base em dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que 90% das queimadas em áreas de agronegócio na Amazônia são para criar gado. Enquanto isso, é possível criar grilos em caixas e larvas-de-farinha em estruturas similares a gavetas. “Há produção em massa em fazenda de insetos, com sistemas bem sofisticados, higiênicos e automatizados”, afirma o professor holandês.

Dieta especial

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) apresentou um relatório especial que aponta que, para conter o aquecimento global, serão necessárias mudanças drásticas na dieta da população, na agricultura e no uso da terra. Mais de 100 especialistas trabalharam no documento e recomendam a diminuição no consumo de carne.

“Os insetos produzem muito menos gases do efeito estufa, muito menos amônia, precisam de bem menos espaço e água, e algumas espécies ajudam no consumo de resíduos orgânicos, criando uma economia circular”, explica Van Huis. Isso significa que geramos lixo orgânico, insetos consomem esses rejeitos e, depois, nós consumimos os insetos.

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