Sábado, 19 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de agosto de 2021
Afastados há cerca um ano e meio do nosso litoral, os navios de cruzeiro continuam no horizonte de turistas brasileiros. A maioria dos potenciais passageiros considera as viagens marítimas uma forte opção para as férias, mas toparia embarcar somente com a vacinação completa, e não vê problemas em seguir parte das medidas de segurança contra a Covid-19 implementadas por companhias.
Estas são algumas conclusões do estudo “Protocolos para a retomada da indústria de cruzeiros e o que pensam os brasileiros”, resultado do Programa de Pós-graduação em Metrologia, Qualidade e Inovação (Pós MQI), do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), da professora Ana Lúcia Rodrigues da Silva e de seu orientador de pós-doutorado, o professor Reinaldo Castro Souza. A pesquisa se debruçou sobre as perspectivas de recuperação deste estilo de viagem no país, a partir da percepção de segurança de potenciais passageiros.
“O segmento foi o mais afetado do turismo, o último a voltar”, lembra a professora e pesquisadora Ana Lúcia Rodrigues da Silva, autora do estudo ao lado de seu orientador no pós-doutorado, Reinaldo Castro Souza. “Mas tem um grande potencial para recuperar os níveis pré-pandemia, com 84% dos entrevistados ainda considerando uma opção para futuras férias.”
Alta fidelidade
Entre 13 de abril e 13 de maio, foram entrevistadas 412 pessoas, de diversas faixas etárias e com variados graus de experiência em viagens marítimas, com 30% entre os que nunca embarcaram e 70% entre os que já fizeram de um a mais de sete cruzeiros na vida.
Esta separação por experiência a bordo revelou aos pesquisadores que, quando se trata de cruzeiros marítimos, a fidelidade aumenta de acordo com o número de horas navegadas.
“Quanto maior o número de cruzeiros já feitos, maior a propensão para confiar nos protocolos de segurança e a disposição de se programar para futuras viagens”, diz Reinaldo.
Por exemplo, 50,1% de todos os entrevistados concordaram com a frase “Viajarei num cruzeiro assim que tiver oportunidade de ir”. No recorte de pessoas que nunca viajaram de navio na vida, esse percentual cai para 30,6%. Já entre os que fizeram mais de sete roteiros desse tipo, pula para 87,1%.
Protocolos e vacinas importam
Em relação aos protocolos de segurança, os entrevistados se mostraram dispostos a adotar a maioria deles, como aceitar medição de temperatura constante, usar máscaras em áreas comuns, higienizar as mãos, fazer testes PCR antes do embarque e se adaptar ao novo modelo de bufê, no qual os pratos são servidos pelos tripulantes.
Em outros aspectos, porém, a resistência promete ser maior, afirma Ana Lúcia: “Muita gente não gosta da ideia de precisar de distanciamento em festas e shows, e também de não poder desembarcar por conta própria nas paradas, apenas com excursões contratadas, que são pagas à parte”.
Além da confiança dos passageiros, o segmento de cruzeiros aposta no avanço da vacinação no país. Não porque essa poderá ser uma exigência para a viagem, mas porque 66,5% dos potenciais passageiros, segundo a pesquisa, afirmam que embarcarão apenas com a imunização contra a Covid-19 completa.
Baseado na taxa de ocupação em 2019/2020, e na média de limitação da capacidade em outros países (em torno de 70%), o estudo projetou também o número de passageiros da futura temporada.
“Numa previsão bem realista, teremos entre 300 mil e 350 mil. Mas há um desejo muito grande por parte dos passageiros em voltar a viajar”, afirma o professor Reinaldo.
Uma previsão realista
A previsão fica abaixo dos 572 mil leitos oferecidos pelos sete navios escalados para a temporada, que ainda depende da aprovação de diversos órgãos federais, como a Anvisa. Caso isso aconteça, está marcada para o período entre 31 de outubro e 19 de abril de 2022.
“Estamos prontos para retomar as viagens. As negociações com as autoridades federais, e também com os destinos, estão caminhando bem. Acreditamos que, à medida que a vacinação avance, e o número de casos diminua, a aprovação será uma realidade”, diz Marco Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia-Brasil).
O que querem os viajantes
Predisposição para viajar: 50,1% querem viajar na primeira oportunidade; 66,5% só farão um cruzeiro quando estiverem completamente vacinados contra a Covid-19; 48,3% afirmaram que só farão um cruzeiro quando a pandemia tiver terminado.
Duração de viagens: 40,6% preferem, na retomada, cruzeiros mais curtos (para 42,1%, isso não faz diferença); 58% não acham que cruzeiros sem parada sejam mais seguros; 47,7% têm receio em viajar num navio que já registrou surtos ou mesmo morte por Covid-19.
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