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Colunistas Ansiedade climática: entre o medo e a ação

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O termo descreve o estado de preocupação intensa, muitas vezes paralisante, diante das mudanças climáticas e seus impactos. (Foto: Freepik)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Escrevo este artigo não apenas como observador, mas como alguém que também sente na pele a chamada ansiedade climática. O termo, cunhado por pesquisadores da área de saúde mental e sustentabilidade, descreve o estado de preocupação intensa, muitas vezes paralisante, diante das mudanças climáticas e seus impactos cada vez mais visíveis. Psicólogos e psiquiatras têm se debruçado sobre o tema, reconhecendo que se trata de uma condição legítima, que exige acompanhamento profissional. São eles, junto a terapeutas especializados em saúde mental, os mais habilitados a ajudar quem sofre com esse tipo de ansiedade.

Entre os jovens, esse fenômeno é ainda mais evidente. Crescer em um mundo onde enchentes, secas e incêndios florestais se tornaram rotina significa carregar um peso existencial: a dúvida sobre o futuro do planeta. A recente enchente em Porto Alegre é um exemplo doloroso. Vi famílias inteiras perderem suas casas, seus pertences e, em alguns casos, a esperança. A população das áreas afetadas tenta se reerguer, mas o trauma coletivo permanece. Muitos jovens relatam medo constante de novos desastres, e esse medo se transforma em ansiedade crônica.

A ansiedade, afinal, é parte da natureza humana. Freud já apontava que o medo é uma resposta inevitável diante da percepção de perigo, e que a mente cria mecanismos de defesa para lidar com o insuportável. Negar ou minimizar os eventos climáticos, como fazem alguns pais ao tentar proteger seus filhos, é também uma forma de defesa psíquica. Essa negação, embora compreensível, pode ser prejudicial: ao silenciar a realidade, impede que os jovens desenvolvam ferramentas emocionais para enfrentar o problema. Estudos recentes mostram que cada vez mais pessoas procuram terapia para lidar com essa angústia, e os consultórios de psicólogos registram aumento significativo de casos relacionados ao clima.

O conceito de ansiedade climática, portanto, não é apenas uma moda acadêmica. Ele reflete uma experiência coletiva que cresce à medida que nos aproximamos dos chamados pontos de não retorno – momentos críticos em que os sistemas naturais do planeta podem sofrer mudanças irreversíveis. O derretimento acelerado das calotas polares ou a morte em massa de florestas tropicais são exemplos desses pontos. A consciência de que estamos cada vez mais perto deles intensifica a ansiedade, pois sugere que o futuro pode escapar de nossas mãos.

Mas não podemos esquecer que a raiz de tudo isso está no comportamento humano. O aquecimento global é resultado direto de escolhas feitas ao longo de décadas: a queima desenfreada de combustíveis fósseis, o desmatamento, a ganância de indústrias como a do petróleo, que muitas vezes corrompem governos e autoridades para atrasar a transição energética. Essa transição, que poderia reduzir drasticamente os impactos climáticos, é constantemente adiada por interesses econômicos. E enquanto isso, a ansiedade coletiva cresce, alimentada pela sensação de impotência.

Eu mesmo sinto essa ansiedade. Mas escolhi transformá-la em ação. Viajo pelo Brasil falando de sustentabilidade, mostrando que há oportunidades reais de construirmos uma sociedade mais justa e equilibrada. Acredito que a ansiedade climática pode ser canalizada para algo positivo: um chamado à responsabilidade, à mudança de hábitos, à pressão sobre líderes e empresas. Se o medo é inevitável, que ele se torne combustível para a ação. Afinal, cuidar do planeta é cuidar de nós mesmos.

A ansiedade climática não precisa ser apenas um fardo. Pode ser também o motor de uma nova consciência coletiva. E é nessa direção que eu sigo, convidando todos a transformar a angústia em esperança, e a esperança em ação.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética (rena.zimm@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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