Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de abril de 2020
Diferente do que ocorreu com as lavouras de soja e milho, a falta de chuvas não afetou o cultivo do arroz no Rio Grande do Sul, que se prepara para fechar a safra com uma colheita de 8 milhões de toneladas. O volume supera a estimativa inicial, de 7,2 milhões de toneladas, conforme o presidente do Irga (Instituto Riograndense do Arroz), Guinter Frantz.
“Estes números deixam o mercado interno em situação confortável, sem riscos de desabastecimento, sendo que inclusive se pode pensar em exportação de arroz”, ressaltou Frantz nesta quarta-feira (22), durante videoconferência com o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho.
Ainda de acordo com o dirigente, uma comparação entre esse desempenho e os prejuízos causados pela estiagem nas lavouras de soja permitem projetar que a área cultivada de arroz na próxima safra seja ainda maior.
O presidente da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul), Alexandre Velho, informou que a pandemia de coronavírus levou a uma redução no número de caminhões disponíveis para o transporte de arroz, desde a região de produção até os grandes centros consumidores.
A entidade enviou ofício para os ministérios do Transporte e da Agricultura, solicitando isenção de pedágios para caminhões vazios como forma de estímulo para o retorno de veículos à região de produção arrozeira. Alexandre acrescentou que a Federarroz também trabalha na atualização dos custos de produção, a fim de proporcionar parâmetros para que os produtores e instituições financeiras planejem o custeio da próxima safra.
O secretário Covatti Filho agendará uma nova reunião, com dirigentes do Irga, Federarroz e Sindiarroz (Sindicato da Indústria do Arroz do Rio Grande do Sul) e demais entidades ligadas ao setor, a fim de dar continuidade às tratativas sobre a realização de uma campanha de estímulo ao consumo do cereal.
Depois de quatro anos com os preços do arroz considerados baixos por produtores, em 2020 as cotações estão mais elevadas. Houve uma percepção de que o aumento no cereal seria atribuído à pandemia de Covid-19. A alta já era esperada pelo mercado, de acordo com nota conjunta emitida por entidades do setor.
“A cotação do cereal está em alta no mercado internacional e, devido à redução da produção brasileira, no ano passado consumiu-se parte dos estoques”, explica o diretor administrativo da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Francisco Lineu Schardong. “Mesmo com a alta no valor da commodity, o arroz brasileiro ainda é um dos mais competitivos em nível global, oferecendo o quarto menor preço entre os 102 principais países produtores.”
Milho
Outro ponto abordado foi o Pró-Milho (Programa Estadual de Produção de Milho), que tem por objetivo tornar o Rio Grande do Sul autossuficiente na produção do grão. A ideia é incentivar a inclusão dessa cultura na rotação com a lavoura do arroz, contribuindo assim para o aumento de produtividade e sustentabilidade econômica e ambiental do sistema de cultivo.
A reunião da Câmara Setorial do Arroz contou ainda com representantes da Sefaz (Secretaria da Fazenda), Sedetur (Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo), Farsul, Famurs (Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Fetag (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Agas (Associação Gaúcha de Supermercados), Banrisul e Banco do Brasil, dentre outros.
(Marcello Campos)
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