Em Brasília (DF), a manifestação foi marcada por cartazes pedindo intervenção militar e “expurgos” (cassações) de deputados, senadores e de magistrados. Durante a manifestação, o slogan repetido pelos militantes era a frase “eu autorizo”, em alusão a uma suposta “autorização” para o presidente dar início a uma intervenção militar.
Os manifestantes fizeram carreata ao longo da Esplanada dos Ministérios e se concentraram próximo ao gramado do Congresso Nacional.
Deputados federais e integrantes do governo participaram do ato, como Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e Caroline de Toni (PSL-SC). Eduardo cumprimentou manifestantes e usava máscara no queixo. Já Caroline fez uma transmissão ao vivo — ela é alvo de investigação em tramitação no STF que apura a organização e realização de atos antidemocráticos, com ataques às instituições.
O secretário especial da Pesca, Jorge Seif, um dos mais próximos auxiliares de Bolsonaro, participou da manifestação e também fez transmissão ao vivo nas redes sociais.
Alvos
Em São Paulo, manifestantes a favor de Bolsonaro se reuniram na Avenida Paulista. O grupo se concentrou em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Além de gritar palavras de ordem ao favor do presidente, os manifestantes criticavam o governador do Estado, João Doria (PSDB), e as medidas de restrição de funcionamento do comércio para conter o avanço do coronavírus.
O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, discursou em um carro de som e fez críticas ao Supremo. Bolsonaro costuma dizer que o STF deu poder aos governadores para tomar medidas de combate à pandemia. Mas a decisão da Corte não afastou a responsabilidade do presidente da República de coordenador as ações.
“A raiz do mal está plantada no Supremo Tribunal Federal, que amarrou as mãos do presidente Bolsonaro”, disse Jefferson, em meio a frases de cunho religioso, como “aqui está o povo de Deus”.
Além de críticas a Doria e ao Supremo, havia faixas que pediam “prisão aos comunistas”, “voto impresso”. Na internet, bolsonaristas usaram a hashtag “EuAutorizoPresidente”, que seria uma resposta ao chefe do Executivo, que disse que aguardava “uma sinalização” dos brasileiros para “tomar providências” contra medidas de restrição de circulação tomadas por governadores e prefeitos em todo o Brasil.
No Centro da capital paulista, um grupo ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) também fez um protesto, mas, desta vez, contra Bolsonaro, pedindo impeachment e cobrando aumento do valor do auxílio emergencial.
Outros Estados
Cidades de Santa Catarina também registraram manifestações contra e a favor do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), neste sábado. Houve atos em Florianópolis, Criciúma, no Sul, e Chapecó, no Oeste.
Na capital, Florianópolis, manifestantes contra o governo fizeram atos na Ponte Hercilio Luz e na catedral da cidade. Eles defenderam a vacinação contra a covid-19, o auxílio emergencial e o serviço público. Ainda na capital, também houve ato pró-governo: uma carreata de bolsonaristas percorreu a Avenida Beira-Mar Norte.
Centrais sindicais e movimentos sociais fizeram um protesto pelas ruas de Natal, em um carreata com críticas ao governo federal. Segundo a Central Única dos Trabalhadores, neste ano, o tema do 1º de maio escolhido pelas entidades foi “Pela Vida — Democracia, emprego, vacina para todos e auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia”.
Já grupos de direita promoveram uma passeata pelas ruas do Centro da cidade até a Praça 7 de Setembro, em frente à frente da Assembleia Legislativa. O grupo criticou restrições impostas pelos decretos estaduais de prevenção à covid-19 e se disse a favor do trabalho. Os manifestantes usavam principalmente roupas verdes e amarelas, a bandeira nacional e também cartazes de apoio ao governo federal.
Garis de Natal também protestaram. O ato foi em frente à companhia de limpeza da capital. A manifestação era contra demissão de garis e outros servidores, além da cobrança por equipamentos de proteção individual e realização de concurso público.
Pelo menos quatro cidades do Sul de Minas Gerais registraram manifestações a favor do governo Bolsonaro neste sábado. Os protestos foram registrados em Poços de Caldas, Pouso Alegre, Varginha e Passos. Apoiadores do presidente saíram em carreata para pedir a implantação do voto impresso e auditável. Eles também se manifestaram contra o lockdown.


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