Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de maio de 2021
Enquanto senadores governistas protagonizam embates duros com o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), o governo tem feito gestos na tentativa de criar um canal de diálogo com o senador e o MDB.
Após ligar para o filho de Calheiros e governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), na última semana, o presidente Jair Bolsonaro fez uma visita ao ex-presidente da República José Sarney.
“Foi uma tentativa do presidente de quebrar o gelo e abrir um canal de interlocução com o partido”, afirma o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM).
Apesar do esforço presidencial, Braga avalia que o impacto desse movimento não será materializado de forma efetiva e imediata na CPI. As iniciativas, até o momento, não convencem a cúpula do partido.
Em entrevista, Renan Calheiros destacou os sinais contraditórios emitidos pelo governo – ora tentando evitar sua indicação, ora sinalizando vontade de diálogo.
“Acho que são sinais trocados, evidentemente. Mas essa conversa com o presidente Sarney, o telefonema para o governador de AL são simbólicos também e demonstram, por outro lado, a possibilidade de que essa CPI avance com absoluta isenção”, afirmou o senador.
“Agora não sou mais o relator do presidente Omar Aziz, sou o relator da CPI, depois de duas decisões da Justiça, uma do STF, nunca tivemos dúvida com relação a isso porque a jurisprudência da suprema corte era farta com relação a isso”, prosseguiu.
Ameaça indireta
Neste fim de semana, integrantes da CPI da Covid decidiram apresentar requerimento para convocar o ministro da Justiça, Anderson Torres, para explicar fala vista como ameaça indireta aos trabalhos da comissão.
Em entrevista à revista Veja, o ministro Torres defendeu uma CPI ampla, afirmou que é preciso “seguir o dinheiro” e que vai requisitar à Polícia Federal informações sobre os inquéritos que envolvem governadores em desvios de recursos da saúde.
Para o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a fala do ministro da Justiça é uma tentativa de intimidação do governo, que não teve sucesso em impedir a CPI.
“Vou apresentar requerimento para convocar o ministro Anderson Torres. Ameaçar uma investigação é crime. E essa fala é uma ameaça indireta à CPI. Sem conseguir impedir e desarticular a CPI, agora o governo tenta intimidar a comissão. Isso é um movimento claro de usar a Polícia Federal como polícia política. Se deixar, será criado um estado policial. É preciso dar um freio de arrumação”, disse o senador Randolfe.
O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), reforçou: “Essa fala de seguir o caminho do dinheiro é uma tentativa de intimidação. Isso é inaceitável”.
Integrantes da CPI já tinham identificado há duas semanas esse movimento do governo Bolsonaro para tentar frear as investigações.
Segundo senadores, sem conseguir evitar a instalação da comissão, o Palácio do Planalto iniciou um movimento de intimidação para conter os desdobramentos das apurações.
O sinal amarelo acendeu com a notícia de que a Polícia Federal fará uma agenda paralela de investigações. A informação, publicada pelo colunista Lauro Jardim, de que quanto mais avançar a CPI, mais explodirão operações estridentes da PF contra governadores e prefeitos, acabou unindo ainda o grupo de senadores independentes e de oposição, o chamado G7.
Os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho (MDB-PA), suplente da CPI, tem filhos governadores. E os demais senadores são próximos de governadores ou prefeitos em seus respectivos Estados.
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