Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020

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Brasil Após 100 mil mortes por coronavírus no País, Bolsonaro lamenta óbitos “seja qual for a causa”

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Presidente vetou o trecho que previa isenção de impostos sobre produtos e serviços necessários ao enfrentamento da Covid-19. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Após o Brasil ultrapassar a marca de 100 mil óbitos por covid-19, o presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo (9) que lamenta cada morte, “seja qual for a sua causa”, e apontou o isolamento social como possível causa de outras mortes no País, na contramão do que dizem médicos, cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As declarações foram dadas pelo presidente da República em publicação no Facebook sem fazer referências diretas às 100 mil mortes pelo novo coronavírus no território nacional. “Lamentamos cada morte, seja qual for a sua causa, como a dos 3 bravos policiais militares executados em São Paulo”, afirmou Bolsonaro. O presidente da República fez referência ao caso de um sargento e dois soldados da Polícia Militar mortos durante uma troca de tiros na região do Butantã, na zona oeste de São Paulo.

Para justificar o argumento contra o isolamento, Bolsonaro compartilhou um artigo publicado no portal do jornal britânico Daily Mail. “Conclui-se que o lockdown matou 2 pessoas para cada 3 de Covid no Reino Unido. No Brasil, mesmo ainda sem dados oficiais, os números não seriam muito diferentes”, escreveu. O número citado no artigo compartilhado por Bolsonaro, porém, diz respeito apenas ao período de 23 de março a 1º de maio e faz relação às mortes por causas diversas após pessoas não irem ao pronto-socorro. Em ocasiões anteriores, Bolsonaro havia falado que os efeitos da quarentena e a crise econômica matariam pessoas, e não apenas o vírus.

O comentário de Bolsonaro vai na contramão de especialistas e autoridades sanitárias. Como mostrou o jornal Estadão no sábado (8), duas a cada três cidades brasileiras já perderam alguém para a covid-19. Pesquisas recentes mostraram, inclusive, que o número de mortes seria muito maior se não houvesse isolamento social.

Conforme pesquisa da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o isolamento social, mesmo abaixo dos níveis desejáveis pelas autoridades sanitárias, poupou 118 mil vidas e evitou que 9,8 milhões de pessoas fossem contaminadas por Covid-19 apenas em maio deste ano, conforme mostrou o Estadão.

Médicos e cientistas afirmam que, para conter o avanço da doença, é preciso que as ações tenham como base um tripé: identificação e monitoramento precoce dos casos; etiqueta respiratória e cuidados pessoais; isolamento social, ou até lockdown, principalmente nos locais com alta transmissão. “Quanto à pandemia, não faltaram recursos, equipamentos e medicamentos para estados e municípios. Não se tem notícias, ou seriam raras, de filas em hospitais por falta de leitos UTIs ou respiradores”, escreveu Bolsonaro.

Crítica

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também criticou a Rede Globo após editorial do “Jornal Nacional”, no dia em que o Brasil passou da marca de 100 mil mortes por coronavírus. O telejornal culpou Bolsonaro por partes dos óbitos e relembrou algumas declarações dele desde o início da pandemia, como o “e daí?” e “não sou coveiro”. No Twitter, mesmo lamentando as mortes e criticando o isolamento social novamente, o presidente afirmou, sem citar nomes, que a rede de televisão “só espalhou o pânico na população e a discórdia entre os Poderes”. Além disso, afirmou que a Globo “desdenhou, debochou e desestimulou” o uso da hidroxicloroquina — que não tem comprovação científica para a doença, mas que segue sendo defendida por ele.

Segundo o presidente, mesmo que nenhum estudo indique sua eficácia, o medicamento “salvou a minha vida e, como relatos, a de milhares de brasileiros”. Bolsonaro escreveu também no Twitter que a “desinformação mata mais do que o vírus” e mandou recado: “O tempo e a ciência nos mostrarão que o uso político da Covid por essa TV trouxe-nos mortes que poderiam ter sido evitadas.”.

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