Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020

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Capa – Caderno 1 Após atritos, o Ministério da Cultura trocou o comando da Agência Nacional do Cinema

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Christian de Castro Oliveira, que assume o cargo de diretor-presidente da Ancine. (Foto: Reprodução)

O Ministério da Cultura anunciou, pelo Diário Oficial da União, o nome de Christian de Castro Oliveira para o comando da Ancine (Agência Nacional do Cinema). Segundo o decreto, ele assume o cargo de diretor-presidente até outubro de 2021. Quem ocupava a função até agora era Débora Ivanov.

Ela era interina, e sua atuação provocou controvérsia no ministério. No fim do ano passado, duas notas dos órgãos tornaram público o racha que havia entre eles. No dia 12 de dezembro, o Ministério da Cultura soltou comunicado afirmando que o comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, de fomento à produção nacional, havia aprovado a formulação, até abril de 2018, de políticas para reduzir desigualdades de raça e gênero no setor.

A nota diz que o único voto contrário dentro do comitê havia sido dado por Ivanov. No dia seguinte, a Ancine soltou outro comunicado sobre a mesma reunião, afirmando que a presidente-interina havia se colocado a favor das medidas e que a Ancine defendia a adoção de uma pontuação suplementar para projetos audiovisuais com atuação de diretores negros, mulheres e indígenas.

Segundo a nota, Ivanov havia votado pela adoção imediata das medidas, mas Sá Leitão se opôs à ideia e sugeriu que o Conselho Superior de Cinema debatesse o tema.

Houve ainda mais um comunicado da Ancine, dizendo que o ministro “se posicionou contra a aplicação dos indutores de raça e gênero nos editais”, argumentando que a “discriminação positiva não asseguraria resultados benéficos para a política pública do audiovisual” e que a medida seria inconstitucional.

Ivanov continuará ocupando uma das quatro cadeiras na diretoria colegiada da agência. Pelo organograma da Ancine, uma dessas quatro direções é escolhida para exercer a presidência.

Sabatina

Aprovado para integrar a mesa diretora pelo Senado em outubro passado, Oliveira é formado em Engenharia de Produção Mecânica pela Universidade Paulista  e em Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Ele é pós-graduado em curso de negócios no setor de filme e televisão pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e em gestão do conhecimento e inteligência empresarial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, somando 18 anos de experiência no setor do audiovisual.

Durante a sabatina realizada na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, Christian de Castro defendeu o papel da agência e sua mediação com o MinC, atuando em parceria com a secretaria do Audiovisual, o Conselho Superior de Cinema e o Comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual.

Ele também questionou a burocracia de processos de fomento e ressaltou a importância de visões de mercado sustentável, com aprimoramento de toda a cadeia de produção do audiovisual.

A distribuição de recursos por todo o território nacional (e o incentivo fora do eixo Rio-São Paul), já defendida por Ivanov, também deverá continuar como um dos pilares da agência. Antes de ser nomeado ministro da Cultura, em julho do ano passado, Sá Leitão também compôs a diretoria da Ancine.

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