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Brasil Após não ser encontrado, ex-gerente da companhia de alimentos BRF se entregou à Polícia Federal

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Empresa vive nova crise. (Foto: Divulgação)

O ex-gerente industrial da BRF em Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, Luiz Augusto Fossati se entregou à PF (Polícia Federal), em Curitiba, por volta das 8h desta terça-feira (6).

Ele era o único dos 11 alvos de prisão temporária da 3ª fase da Operação Carne Fraca, deflagrada na segunda-feira (5), que ainda não tinha sido encontrado. Entre os presos, além do ex-gerente, também está o ex-diretor-presidente global da BRF, Pedro de Andrade Faria.

“Ele vai se defender durante o depoimento, esclarecer tudo que lhe incumbia. Ele nem sabe o que estão imputando a ele e alguns dos acusados ele sequer conhece. Ele está bastante tranquilo”, disse o advogado de Fossati, Alexandre Knopfholz.

Trapaça

Nessa fase da operação, quatro unidades da BRF são investigadas: em Carambeí e em Rio Verde (GO), que produzem frango; em Mineiros (GO), que produz peru; e em Chapecó (SC), que produz ração.

Segundo a PF e o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), essas quatro fábricas fraudavam laudos relacionados à presença de salmonela em alimentos para exportação a 12 países que exigem requisitos sanitários específicos de controle da bactéria do tipo salmonela spp.

Em nota, a BRF afirma que segue normas de qualidade e que vai colaborar com as investigações “para esclarecimento dos fatos”. A empresa é dona de marcas como Sadia e Perdigão e é a maior exportadora de carne de frango do mundo, com vendas em cerca de 150 países.

Além de ex-executivos da BRF, o esquema envolveu funcionários e técnicos de cinco laboratórios. Eles são suspeitos de preencher, com dados fictícios, os laudos fornecidos ao SIF/Mapa (Serviço de Inspeção Federal) a fim de driblar a fiscalização.

Por esse motivo, a operação foi batizada de Trapaça. A suposta irregularidade foi denunciada pela ex-funcionária da BRF, Adriana Marques de Carvalho, que já tinha ido à Justiça trabalhista contra a empresa.

Crise

Na segunda-feira, por causa da operação, a companhia perdeu mais de R$ 4 bilhões em valor de mercado em poucas horas, segundo levantamento da provedora de informações financeiras Economatica.

Por volta das 10h40 desta terça-feira (6), as ações da BRF lideravam as quedas, com um recuo de 3,8%.

A BRF enfrenta uma crise que vai além do noticiário policial. O prejuízo bilionário no ano passado levou a maior exportadora de carne de frango do mundo a um impasse entre acionistas e seu conselho de administração, que pode culminar na troca de seu comando.

“Não há risco à saúde”

O coordenador-geral do Dipoa (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal), do Mapa, Alexandre Campos Silva, disse que, apesar da fraude, a produção de frangos para consumo interno não foi afetada e que não há risco para a saúde pública.

Ele explicou que a bactéria salmonela apresenta mais de 2 mil sorovares (variedades dentro da mesma espécie), mas apenas dois oferecem risco à saúde pública (tifimurium e enteritidis) e outros dois representam risco à saúde animal (pullorum e gallinarum).

“Não encontramos, até agora, nenhum problema que representasse a presença ou a falsificação, a eventual fraude, desses dois patógenos: tifimurium e enteritidis.”

Silva disse, contudo, que a operação está em andamento e que novas medidas poderão ser tomadas.

“As investigações continuam. Elas tratam apenas da presença da salmonella sp, que representa restrições comerciais a 12 destinos, dos mais de 150 para onde exportamos”, afirmou. “Ressaltamos que, se o Brasil exporta para mais de 150 países, é porque esses países nos auditam”, acrescentou.

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