Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2016
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), tidos como simpáticos à gestão da presidenta Dilma Rousseff, têm começado a questionar a petista em conversas de bastidores. Até o fim do ano passado, o STF parecia ao Planalto um palco mais amistoso do que o Congresso, mas o panorama mudou nos últimos dias com o agravamento da crise.
Integrantes do Tribunal dizem, reservadamente, ver indicativos claros de que há indícios para investigar a presidenta por tentativa de obstrução da Justiça em razão da indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil. O sinal foi dado, na avaliação de um ministro, na decisão do plenário, que manteve no Supremo os grampos de Lula. “Para afirmar o que a maioria do Tribunal afirmou, é preciso reconhecer que há indícios de infração penal [por parte de Dilma]”, diz um ministro. Na avaliação dele, o caso só foi mantido na Corte porque há suspeita de irregularidades cometidas pela presidenta, que tem prerrogativa de foro. Do contrário, o caso poderia ser conduzido pelo juiz Sérgio Moro.
Relator da Operação Lava-Jato no STF, o ministro Teori Zavascki não entrou no mérito da discussão sobre uma eventual investigação de Dilma – que precisa ser solicitada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot –, mas deu indicativos, na interpretação desse integrante do Tribunal, de que há gravidade na conversa. A análise sobre a deterioração do governo extrapola os gabinetes dos ministros tradicionalmente críticos a Dilma e agora faz parte do discurso de magistrados contabilizados pelo Palácio do Planalto, até hoje, como votos governistas. (AE)
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