Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 8 de abril de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (7) que adiou por duas semanas o ultimato contra o Irã e disse ter condicionado a medida à abertura completa do Estreito de Ormuz. Teerã confirmou o acordo que permitirá a reabertura do canal por um período inicial de duas semanas.
Trump havia dado até as 21h de terça-feira para que o Irã chegasse a um acordo com os Estados Unidos e reabrisse a rota, por onde passa grande parte do petróleo mundial. No início do dia, ele afirmou que uma “civilização inteira” iria morrer com os ataques previstos para a terça.
Essa foi a mais grave ameaça desde o início da guerra e deixou o mundo em tensão nas 10 horas que seguiram o anúncio.
Desde os primeiros dias de conflito, o presidente dos EUA vem declarando a vitória de seu governo sobre o regime iraniano, mas o Irã segue fazendo ataques em retaliação e afirma que não irá se render.
Algumas horas antes da ameaça de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que milhões de iranianos estavam “prontos para se sacrificar” pelo país.
“Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, afirmou Pezeshkian em publicação no X.
Confira a cronologia de terça-feira, um dos dias mais tensos desde o início da guerra.
– 9h06 – Trump publica ameaça na rede social Truth Social: Na manhã da terça-feira, por volta das 9h, Trump fez a mais grave ameaça desde o início da guerra entre EUA-Israel e Irã. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, escreveu o presidente em uma publicação no Truth Social.
O presidente dos EUA deu prazo até as 21h (horário de Brasília) da terça-feira para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, fechada por Teerã em resposta a ataques dos EUA e de Israel.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, afirmou.
– Irã reage e afirma que ameaça pode causar genocídio: Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, afirmou que as ameaças de Trump “constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio”.
Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a denunciar a retórica de Trump antes que seja tarde demais.
“O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”, disse ele.
– EUA fazem novos bombardeios contra ilha de Kharg: A Ilha de Kharg, responsável por 90% do petróleo exportado pelo Irã, foi bombardeada novamente pelos Estados Unidos na terça. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, confirmou o ataque, denunciado pelo Irã e reportado por agências de notícias e a imprensa norte-americana.
– Regime iraniano convoca população: Alireza Rahimi, identificado pela televisão estatal iraniana como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, fez a convocação para “todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores”.
“As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”.
– 11h – população do Irã faz cordão humano: Iranianos atenderam à convocação do regime e foram até a usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do Irã, para formar uma corrente humana em torno do local.
Em vídeo divulgado pela agência de notícias iraniana Fars, centenas de pessoas aparecem na porta da instalação, segurando bandeiras e cartazes para demonstrar seu apoio ao governo.
– População do Irã vai às ruas: Faltando poucas horas para as 21h, a população do Irã foi às ruas de Teerã, a capital do país, em apoio ao governo.
Imagens divulgadas pelas agências de notícias iranianas no Telegram mostram centenas de pessoas na porta da usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do país, segurando bandeiras e cartazes para demonstrar seu apoio ao governo.
– Paquistão pede a Trump que adie ultimato: O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador nas negociações da guerra entre EUA, Israel e Irã, pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que adiasse o prazo dado a Teerã em duas semanas.
O primeiro-ministro do Paquistão também solicitou ao Irã a reabertura do Estreito de Ormuz pelo mesmo período, como gesto de boa vontade e pediu que todas as partes em conflito adotem um cessar-fogo de duas semanas para permitir o avanço da diplomacia.
Trump adia ultimato
– 19h32 – Trump recua: Em um post no Truth Social, Trump disse que resolveu adiar os ataques após um pedido de autoridades do Paquistão, que estão mediando conversas indiretas entre os Estados Unidos e o Irã.
“Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, afirmou.
O presidente norte-americano alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas.
Irã concorda com cessar-fogo
Após anúncio de cessar-fogo de Trump, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que um acordo foi alcançado com mediação de autoridades do Paquistão. Ele afirmou que Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos.
Araghchi disse ainda que a passagem pelo Estreito de Ormuz seria segura durante a trégua, com algumas condições. O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo.
Passagem suspensa
Já nessa quarta-feira (8), o Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.
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