Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de maio de 2025
O mercado até recebeu com bom humor o congelamento de R$ 31,3 bilhões anunciado pelo governo na tarde de quinta-feira. No entanto, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pegou os investidores de surpresa, gerou estresse ainda durante a sessão regular e se intensificou severamente no pós-mercado, quando apenas os negócios com futuros estavam em operação. A investida assustou a indústria de fundos de investimento e os reflexos nos ativos já apontavam para uma abertura tensa nos mercados desta sexta-feira, já que o dólar futuro disparou; os juros futuros passaram a subir com força; e o Ibovespa futuro teve queda firme.
No fim da noite de quinta-feira, o Ministério da Fazenda anunciou que havia desistido de elevar duas das alíquotas.
A mudança no IOF ofuscou totalmente o tom positivo que os mercados chegaram a sustentar após a divulgação de um congelamento de despesas maior que o esperado. A informação, antecipada pelo Valor antes do relatório bimestral de receitas e despesas vir a público, deu fôlego a um bom desempenho dos ativos domésticos. Ao longo da tarde, porém, houve uma reversão do sentimento dos agentes, que aguardavam a publicação do decreto sobre a alteração no imposto.
Como resultado, os mercados futuros exibiram perdas bem mais expressivas após o fim dos negócios à vista. O dólar futuro para junho subiu 1,87%, a R$ 5,7635; o Ibovespa futuro recuou 1,93%, aos 136.375 pontos; e a taxa do DI para janeiro de 2029 avançou de 13,69% para 13,72%. Em Nova York, durante os negócios do “after hours”, o principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras, o EWZ, despencava, em baixa de 4,43%, a US$ 26,30.
“A ideia do IOF é uma excrescência, até por ser um imposto da pior natureza, que é muito cumulativo… Estamos caminhando para uma agenda desestimulante ao investimento. A ideia de resolver os problemas fiscais piorando os fundamentos econômicos tem tudo para dar errado. É uma piora do ambiente de negócios. O caminho da carga tributária só vai gerar mais distorções”, afirma o economista-chefe da Reag Investimentos, Marcelo Fonseca.
O profissional afirma que a elevação do IOF para remessas de capital e a extensão dessa medida para outros instrumentos, como os fundos de investimento que fazem operações no exterior, foi um ponto que “causou alvoroço” entre participantes do mercado. “Estão procurando arrancar dinheiro de onde podem. Não se normaliza algo distorcido espalhando distorções no sistema… O sinal que isso passa é de que estão jogando areia na movimentação de capital internacional em um país que precisa desesperadamente de ingresso de capital estrangeiro.”
“Em certa medida, estamos na antessala, ainda que um pouco distante, de um controle de capitais. Torna mais cara a diversificação, ou seja, coloca sujeira na movimentação de capital. No limite, é um sinônimo de controle de capitais”, enfatiza Fonseca.
A reação dos mercados domésticos durante a entrevista à imprensa do governo para explicar as mudanças no IOF foi ilustrativa do pânico gerado no comportamento dos ativos locais.
Perto das 15h30, já durante a apresentação dos ministros da Fazenda e do Planejamento sobre o relatório bimestral de receitas e despesas, o dólar futuro para junho bateu a mínima do dia, de R$ 5,6045, em queda de 0,93%, enquanto perto das 18h20, já após as divulgações sobre o IOF, o dólar futuro bateu a máxima de R$ 5,7820, em valorização de 2,20%. Da mínima para a máxima, portanto, o dólar futuro “caminhou” expressivos R$ 0,18.
Sexta-feira
O dólar fechou em queda de 0,27% nessa sexta-feira (23), cotado a R$ 5,64. A moeda americana havia começado o dia em alta, mas acalmou após o vaivém do governo com as medidas de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Na véspera, os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento anunciaram um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento deste ano, e um aumento do IOF com o objetivo de aumentar a arrecadação em mais R$ 20,5 bilhões neste ano e outros R$ 41 bilhões em 2026.
O mercado considerou o bloqueio positivo, mas notou que as despesas foram revisadas para cima, e a alta do IOF foi considerada apenas mais uma medida paliativa.
Além disso, o aumento do IOF sobre aplicações de fundos nacionais no exterior foi interpretado como uma tentativa discreta de controle de capitais, com o objetivo de conter a saída de dólares do país e, indiretamente, controlar o câmbio.
Ainda na noite de quinta-feira, o governo voltou atrás na tributação dos fundos de investimento, mantendo a alíquota zero nesses casos.
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em alta de 0,40%, aos 137.824 pontos. Na semana, o índice chegou a atingir um recorde histórico, encerrando aos 140 mil pontos pela primeira vez. As informações são do jornal Valor Econômico.
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