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Geral Bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos ainda resistem a acelerar o corte de juros. Entenda o motivo

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As projeções para a economia brasileira constam no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. (Foto: Agência Brasil)

Os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos divulgados na última semana foram animadores. O IPCA-15 de janeiro anotou alta de apenas 0,31% frente a uma expectativa de 0,47% colhida pelo Valor Data, furando, inclusive, o piso de 0,40% das projeções. Já o PCE (Índice de Despesas de Consumo Pessoal, na sigla em inglês) americano, índice que é meta do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), caiu para 2,9% em dezembro na comparação anual na medida de núcleo – a que retira itens voláteis e indica a tendência subjacente da inflação – também abaixo do esperado.

O mercado financeiro comemorou, como era de se esperar. Sendo assim, investidores e consumidores não deveriam esperar uma aceleração de cortes aqui e o começo do ciclo de flexibilização nas taxas pelo Fed em breve?

Não parece ser caso ainda, apesar da boa notícia vinda destas leituras de inflação. Em ambos os casos, permanece a preocupação com os preços de serviços, que estão mais rígidos que os demais desde a abertura das economias após a pandemia.

Vejamos os destaques do que aconteceu com os preços nestes índices. No IPCA-15, a surpresa do resultado veio do grupo transportes, puxado principalmente pela queda de 15,24% da passagem aérea, bem mais forte do que se esperava. Ademais, a tarifa zero de ônibus em São Paulo em domingos e feriados impactou para baixo o grupo, além da redução do IPVA em várias regiões. Outro destaque foi a variação negativa da energia elétrica, contribuindo também para a menor variação do IPCA-15 cheio. Na ponta contrária, o que chamou atenção foi a alta do grupo alimentação e bebidas, puxado pela alimentação no domicílio, muito influenciado pelo clima desfavorável.

Mas o que chamou atenção foi o salto do índice de difusão, que mede quanto itens tiveram alta no período pesquisado. Ele passou de 55,9% em dezembro para 67,0% em janeiro, superando a sua média histórica de 61,6%, segundo cálculo da MCM. Além disso, o núcleo de “serviços subjacentes”, muito olhado pelo BC (Banco Central), anotou alta de 0,68%, impulsionado por aluguel, condomínio e diversos serviços pessoais. Por fim, a média de cinco núcleos de inflação monitorados pelo BC subiu de 0,28% para 0,33% nesta leitura, embora tenha ficado aquém do que se esperava, mas quando se olha a média móvel de três meses, anual e dessazonalizada, o retrato é de continuidade da tendência de queda da inflação (2,9% contra 5,4% um ano atrás).

Nos EUA, grande parte da desinflação que ocorreu até agora veio nos preços dos bens, à medida que as cadeias de abastecimento se normalizaram e os custos de transporte diminuíram. Analistas dizem que deve ainda haver alguma pressão adicional proveniente deste grupo, como os custos de automóveis novos e usados, mas parte considerável do progresso da desinflação foi alcançado. Entretanto, quando se olha para os preços de serviços, grande parte permaneceu mais rígida e “há algum risco de a inflação estagnar acima da meta do Fed”, como diz o Citi em análise.

O desafio para o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC e para o Fed, que se reúnem nesta semana que inicia, é administrar os ganhos conseguidos até aqui para que o trabalho feito se mantenha sem riscos de voltarem atrás depois de um período longo de aperto monetário. Aqui, a dinâmica subjacente da inflação nos serviços básicos merece atenção, em um contexto de mercado de trabalho apertado, política fiscal expansionista e dúvidas sobre a dinâmica fiscal nos próximos anos – o que é fator de peso na formação das expectativas de inflação pelos agentes.

Nos EUA, o Fed se depara com uma economia bem mais forte do que se previa há um ano. O crescimento dos salários e a oferta constante de empregos ajudaram a alimentar os gastos dos consumidores. E foram essas compras, juntamente com o fortalecimento contínuo dos gastos governamentais, das exportações líquidas e das ações, que ajudaram a impulsionar o PIB, cujo crescimento real e anualizado no quarto trimestre foi de 3,3%, seguindo um também surpreendente avanço de 4,9% no terceiro. Analistas veem o crescimento dos salários como um risco e pontuam que a taxa de desemprego nos EUA, ainda em 3,7%, terá de ultrapassar 4% para que as pressões sejam minimizadas sobre os preços da economia.

Assim, tanto o Copom quanto o Fed devem manter o curso dos planos para a política monetária neste mês e nos próximos. Aqui, a taxa Selic deve ser reduzida em 0,5 ponto percentual no dia 31 para 11,25%. E nos EUA, os juros devem ainda ser mantidos no intervalo entre 5,25% e 5,5% no mesmo dia. Em ambos os casos, depois de uma batalha árdua contra a inflação, a paciência deve render mais frutos no futuro. As informações são do jornal Valor Econômico.

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