Quinta-feira, 14 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de fevereiro de 2016
Pelo menos 13 crianças nascidas com microcefalia em Salvador (BA) e Recife (PE) em casos suspeitos de relação com o vírus zika apresentam também lesões oculares que podem levar à cegueira. A descoberta acrescenta novas evidências à hipótese de que a infecção pode ter impacto em outros órgãos, além do cérebro.
Os resultados, obtidos por equipe liderada pelo oftalmologista Rubens Belfort Jr., da Unifesp (Universidade Federal de SP), foram divulgados em dois estudos: um no dia 10 deste mês, na revista Jama Ophthalmology, e outro em janeiro, na Lancet.
Em ambos, os pesquisadores observaram importantes lesões na retina dos bebês. “Em enormes áreas não existe tecido nervoso. É como se fosse uma tela de televisão com uma parte esburacada, preta, sem condições de enxergar mais”, afirmou Belfort Jr.
Ele iniciou a investigação com três bebês do Recife – cujo resultado saiu em janeiro – e depois analisou mais 31 crianças nascidas em Salvador, no hospital Roberto Santos, com suspeita de microcefalia. Delas, 29 tiveram a lesão cerebral confirmada, dos quais 27 mães haviam apresentado sintomas de zika durante a gravidez.
Em dez bebês foram observados variados problemas oculares, e sete deles tinham dois olhos com anormalidades. “Não tem como reverter essas lesões. As crianças não só terão o cérebro funcionando mal, como a visão não adequada. Pela minha experiência, acredito que várias delas ficarão cegas.”
Belfort Jr. alertou que a aparência dos olhos dos bebês analisados é normal, tornando difícil para pais e médicos imaginarem que há um problema interno. Por isso, ele recomendou que toda a criança nascida de mãe que teve sintoma de zika tenha os olhos examinados. (AE)
Os comentários estão desativados.