Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2020
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reconheceu na quinta-feira (2) que ainda não tem apoio popular suficiente para determinar uma reabertura da atividade comercial no País. Em entrevista à rádio Jovem Pan, ele disse que pode tomar uma decisão por meio de um projeto, mas que precisa estar amparado por um apoio maior da sociedade.
“Eu estou esperando o povo pedir mais, porque o que eu tenho de base de apoio são alguns parlamentares. Tudo bem, não é maioria, mas tenho o povo do nosso lado. Eu só posso posso tomar certas decisões com o povo estando comigo”, afirmou.
“Para abrir comércio, eu posso abrir em uma canetada. Enquanto o Supremo e o Legislativo não suspenderem os efeitos do meu decreto, o comércio vai ser aberto. É assim que funciona, na base da lei.”
O presidente defendeu que, a partir da próxima segunda-feira (6), Estados e municípios determinem uma reabertura gradual da atividade comercial, evitando um aumento no desemprego.
Ele ressaltou que já tem pronto em sua mesa um modelo de proposta para determinar que os estabelecimentos comerciais sejam considerados uma atividade essencial durante a pandemia do coronavírus.
“Eu tenho um projeto de decreto pronto na minha frente para ser assinado, se preciso for, considerando atividade essencial toda aquela exercida pelo homem e pela mulher através da qual seja indispensável para levar o pão para a casa todo dia.”
Bolsonaro negou que possa escalar as Forças Armadas para abrir de maneira forçada os estabelecimentos comerciais e disse que não cogita renunciar ao mandato.
“Da minha parte, a palavra renúncia não existe. Eu fico feliz até por estar na frente [do combate] a um problema grande como esse. Fico pensando como estaria o outro que ficou em segundo lugar [Fernando Haddad (PT)] no meu lugar aqui”, disse.
Bolsonaro reconheceu um eventual processo de impeachment por crime de responsabilidade fiscal preocupa pela possibilidade de criar uma instabilidade política em seu mandato.
Ele lembrou das dificuldades administrativas, como a aprovação de uma reforma da Previdência, enfrentadas pelo seu antecessor, Michel Temer (MDB), após a Procuradoria-Geral da República ter apresentado duas denúncias contra o emedebista.
“A questão de impedimento tem uma série de regras que, se você ferir, entra na Lei de Responsabilidade Fiscal. Então, essa é uma preocupação muito grande da nossa parte. Porque, se chegar lá, a gente vai ter problemas”, afirmou Bolsonaro.
Para o presidente, após a pandemia do coronavírus, a economia brasileira levará um ano para se recuperar. Na entrevista, ele disse ainda que fará um chamado nacional para que a população brasileira faça um dia de jejum religioso para que o País “fique livre desse mal”.
Na entrevista, o presidente voltou a fazer críticas a prefeitos e governadores que adotaram medidas restritivas diante da pandemia da doença. O mais atacado foi o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).
Bolsonaro disse que Doria faz “política o tempo todo” e recorre a “demagogia barata”. Segundo o presidente, como porta-voz dos governadores do País, o tucano é “péssimo em todos os aspectos”.
“Com todo o respeito aos governadores, vocês estão muito mal de porta-voz. Esse porta-voz que vocês elegeram aqui é péssimo em todos os aspectos”, disse. “Não me venha esse porta-voz fazer discursinho barato e ginasial, falando que o governo federal tem dinheiro.”
O presidente também acusou o tucano de não estar fazendo um trabalho sério e de estar antecipando o debate eleitoral de 2022.
“Ele destrói a economia dele e agora vem com cara de freira e virgem imaculada dizer que o governo federal tem de ajudá-lo. E nós estamos ajudando todo mundo. Eu sou paulista e adoro o povo paulista, mas esse governador não está fazendo um trabalho sério”, disse.
Bolsonaro classificou ainda como ridícula a troca de afagos nas redes sociais entre o governador e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele disse ter ficado com vergonha da aproximação entre o tucano e o petista.
“Já caiu a máscara dele [Doria] há muito tempo e agora ficou ridícula a situação dele se solidarizando com um ex-presidiário.”
Os comentários estão desativados.