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Brasil Bolsonaro mandou um vídeo pelo WhatsApp convocando para o ato anti-Congresso

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Participação do ministro da Saúde em encontro para debater a crise do novo coronavírus incomodou o presidente. (Foto: Alan Santos/PR)

O presidente Jair Bolsonaro está disparando de seu celular pessoal um vídeo em tom dramático que mostra a facada que sofreu em 2018 em Juiz de Fora para dizer que ele “quase morreu” para defender o País e agora precisa que as pessoas vão às ruas no dia 15 de março para defendê-lo. O ato do dia 15 está sendo convocado por movimentos de
direita em defesa do governo e contra o Congresso Nacional.

No texto que envia juntamente com o vídeo, o presidente escreve:

“- 15 de março.

– Gen Heleno/Cap Bolsonaro.

– O Brasil é nosso,

– Não dos políticos de sempre.”

O vídeo de 1 minuto e 40 segundos de duração uma o Hino Nacional tocado no saxofone como trilha sonora. “Ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa do nosso apoio nas ruas. Dia 15.03 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos na rua apoiando Bolsonaro”, diz o texto que aparece na tela, entremeado por imagens de Bolsonaro sendo esfaqueado, no hospital e depois em aparições públicas.

Não é a primeira vez que o presidente compartilha conteúdo polêmico por meio de disparos por WhatsApp. Em agosto do ano passado, ele compartilhou um texto que dizia que o Brasil é “ingovernável fora dos conchavos”. Na ocasião, diante da controvérsia, demonstrou surpresa e disse que só havia passado o texto, tirado de um post do Facebook de um desconhecido, para “meia dúzia de pessoas”.

Na semana passada, o ministro Augusto Heleno (GSI) teve conversa com colegas em que chamava deputados e senadores de “chantagistas” vazada pelo sistema de som do Planalto. Ele ainda dizia que o governo deveria conclamar as pessoas a irem às ruas pressionar os congressistas. O ato do dia 15 começou a ser convocado pelas redes sociais no mesmo dia.

Em panfleto que circula pelas redes sociais, assinado apenas por “movimentos patriotas de conservadores”, fotos do general Heleno, do vice-presidente, Hamilton Mourão, e de outros generais com cargos públicos aparecem numa convocação para o ato. No texto, se diz que “os generais aguardam as ordens do povo”. E em seguida um bordão: “Fora Maia e Alcolumbre”.

Nem Heleno nem Mourão foram às redes sociais repudiar o uso de sua imagem no panfleto. Coube ao general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro, o único repúdio à associação do Exército Brasileiro com um post de cunho golpista.

Na semana passada, o economista e empresário bolsonarista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Basta Figueiredo, aludiu ao noticiário que dava conta do início de conversas sobre impeachment para postar no Twitter que, com o gabinete composto quase exclusivamente por militares, isso seria a “receita” para uma “revolução”.

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