Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de abril de 2019
Em entrevista à BBC News Brasil, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), criticou a forma de governar de Jair Bolsonaro. Covas afirmou que não há bom senso no governo e que Bolsonaro precisa ser o presidente do Brasil e não apenas da direita.
Em uma parede do gabinete de Bruno Covas, há uma foto de seu avô, o ex-governador Mário Covas (1930-2001), um tucano histórico. Também há uma charge do cartunista Paulo Caruso feita durante a entrevista de Covas no programa de TV Roda Viva; e um quadro do artista plástico Romero Britto doado pelo artista a João Doria. Um assessor de Covas confidenciou que o prefeito tentou se livrar da obra algumas vezes, mas ainda não encontrou um local adequado para colocá-la.
A trajetória de Mário Covas é um dos motivos que fazem o prefeito paulistano não simpatizar com o presidente Jair Bolsonaro. Durante a ditadura militar (1964-1985), o político paulista foi preso e teve seu mandato de deputado federal cassado.
As afirmações de Bolsonaro de que não houve um golpe de Estado em 1964 e de que o antigo regime foi bom para o País irritam o prefeito. “São manifestações como essa que me afastaram dele”, explica. “Não dá para agora a gente querer passar uma borracha na quantidade imensa de pessoas que foram presas, que foram cassadas, que foram torturadas, que sumiram.”
Covas disse à BBC News Brasil que anulou o voto no segundo turno das eleições do ano passado, quando Bolsonaro disputou a Presidência com o petista Fernando Haddad. “Eu não iria votar no PT de jeito nenhum, votei pelo impeachment da Dilma quando era deputado. Eu tinha duas opções: votar no Bolsonaro ou anular meu voto. Busquei, ao longo das três semanas, alguma frase que mostrasse que ele (Bolsonaro) teria muito mais bom senso como presidente. Não encontrei. E por isso anulei”, disse.
Embora espere que a reforma da Previdência seja aprovada (“não dá mais para esperar”), o tucano afirma que “ainda não encontrou” no governo federal o bom senso que procurava em Bolsonaro no ano passado. “Esse problema é o que impede que a reforma (da Previdência) caminhe no Congresso”, afirma. “Você não pode governar apenas para os seus, para o seu grupo político. Bolsonaro precisa ser o presidente do Brasil, e não só da direita. Acho que é esse entendimento que ele precisa ter.”
PSDB
Tido como um nome para o futuro do PSDB, Bruno Covas, de 39 anos, é um herdeiro político e está acostumado aos corredores do poder desde que a juventude. Nessa época, mudou da casa dos pais em Santos, terra da família, para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Viveu com os avós no palácio dos 15 aos 18 anos, até terminar os estudos.
Depois, fez parte da ala de jovens do partido, sendo bastante próximo de um setor mais à esquerda dos tucanos. Questionado pela BBC News Brasil se ele se considera uma pessoa de esquerda, o prefeito tergiversou na resposta. “Sim… De esquerda não, de centro, né”, diz.
“Entendo que não tem sentido o poder público participar de algumas áreas da atividade econômica, e isso me distancia da esquerda, que entende que o governo tem que estar em todas as áreas. E eu também entendo que o poder público não pode abrir mão da participação em alguns setores que vão muito além da segurança (pública), o que me distancia da direita. O poder público não pode estar fora da habitação, do transporte, da saúde, da educação”.
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