Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de novembro de 2018
O terceiro secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, João Henrique Caldas (PSB/AL), reuniu-se nesta segunda-feira (12) com o presidente eleito Jair Bolsonaro. No encontro, na casa de Bolsonaro, no Rio de Janeiro, Caldas conversou sobre sua candidatura à Presidência da Câmara.
“O presidente me relatou que não irá interferir diretamente na eleição da Câmara dos Deputados, apesar de ter apoio de uma bancada expressiva, com 52 deputados. Sou candidato a presidente da Câmara, vou colocar meu nome à disposição, já tenho a experiência de terceiro secretário da Câmara”, disse o parlamentar.
Em recentes entrevistas, Bolsonaro tem dito que não pretende trabalhar para que seu partido, o PSL, conquiste a presidência da Câmara, mas que defende a escolha de um nome para comandar a Casa que não trave a pauta de projetos do Executivo. Embalado pela vitória de Bolsonaro, o PSL terá a segunda maior bancada da Câmara, com 52 deputados, atrás apenas do PT, que elegeu 56 parlamentares para a Casa.
Na conversa com Bolsonaro, disse Caldas, houve discussões de pautas e uma espécie de “alinhamento de ideias“ sobre o futuro do Congresso. O deputado afirmou que pode ter o apoio de colegas do PSL.
Segundo Caldas, o deputado que quiser presidir a Câmara precisa dialogar com todos os partidos. “Eu tenho alguns colegas dentro do PSL. Claro que nós temos uma relação institucional suprapartidária que pode nos ajudar nessa composição. O presidente da Câmara é o presidente da instituição. Ele precisa atuar como magistrado, definindo as pautas prioritárias para o Brasil. Então acredito que temos que fazer esse pacto de convergência suprapartidária para o País”, finalizou.
Rodrigo Maia
Em encontro com integrantes do mercado financeiro na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reclamou da falta de interlocução do futuro governo Jair Bolsonaro com o Congresso e disse que o futuros integrantes do Palácio do Planalto não deram ainda “nenhum sinal” do que querem.
“Ainda não houve nenhuma articulação. Não vou pautar uma matéria porque eu li no jornal”, declarou o presidente da Câmara, no encontro fechado com representantes de bancos e fundos de investimento em São Paulo.
“O governo acha que viabiliza a base através das frentes parlamentares, mas eu acho que não viabiliza”, continuou o presidente da Câmara, numa referência à maneira como Bolsonaro pretende construir sua base governista, de acordo com o presidente eleito sem “toma-lá-dá-cá”.
Segundo relatos feitos por pessoas presentes ao encontro, amparados por um texto elaborado por um dos participantes que circula entre integrantes do mercado, Maia disse que o Congresso precisa saber o que o governo quer fazer.
“Não posso dar um canhão na mão dele sem saber o que vai ser do Congresso”, disse, destacando que “topa” não ter cargos no futuro governo, mas que não aceita ser enfraquecido na sua base eleitoral, o Rio de Janeiro. Disse que as pessoas querem entender “qual a regra do jogo” e que o futuro governo ainda não colocou ninguém para articular sua base política – ele questionou o fato de a equipe de Bolsonaro ser “contra a política”.
Elogiou, porém, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro ministro da Casa Civil, ao dizer que ele é experiente, mas disse que também quer um presidente da República que possa “influenciar” – embora do mesmo partido, a relação entre Maia e Onyx não é das melhores. Maia também disse acreditar que a desorganização do futuro governo é momentânea e que vai melhorar quando os novos integrantes do Palácio do Planalto assumirem seus cargos.
Para Maia, a aprovação de medidas na área da previdência depende do apoio pessoal do presidente eleito. O futuro governo tem duas prioridades nesta fase: aprovar mudanças na previdência, ainda que sejam medidas infraconstitucionais (que não alterem a Constituição e que portanto não demandem a aprovação de 308 deputados em dois turnos), e a autonomia do Banco Central, que precisa de 257 votos para ser aprovada e cuja viabilidade de ir a plenário será analisada na semana posterior à do feriado.
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