Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de junho de 2015
O palco que vai receber a partida deste sábado (27) da Seleção Brasileira contra o Paraguai pela Copa América 2015 está diferente. Inaugurado nesta quinta-feira (25) pela presidenta da república, Michelle Bachelet, tem sistema de iluminação moderno, cobertura, aparência de recém-saído do forno. Obras que não apagam, porém, a história do estádio municipal de Concepción, local de prisões e torturas políticas na época da ditadura chilena e com fama de mal-assombrado.
O Ester Roa Rebolledo, nome da primeira prefeita mulher do município, não recebe futebol desde agosto de 2013. A obra foi marcada por atrasos e greves que a tornaram ainda mais cara, e fizeram da busca por recursos uma corrida desenfreada. Cenário bem semelhante ao que se viu no Brasil durante os preparos para a última Copa do Mundo.
Empecilhos superados, o estádio ficou quase pronto. Ainda faltam alguns detalhes. Um deles é uma placa que homenageia todos os que ali foram prisioneiros políticos, há mais de 40 anos, durante o regime militar.
A partir do golpe de 1973, estádios de futebol se tornaram arenas de sofrimento. O de Concepción na época era chamado de Regional e teve uma noite marcante entre tantas de agonia.
O histórico de fatos aterrorizantes pode interferir na mente das pessoas. Maria Neira, antiga funcionária do Collao (apelido do estádio), declarou que via e ouvia “coisas”. “Estava com minha filha e minha sobrinha, e escutamos que começaram a golpear com muita força uma porta. Era um ruído desesperado. Fui ver e não havia nada. Passam pessoas atrás de mim”, afirmou. (AG)
Os comentários estão desativados.