Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de março de 2022
Dor de cabeça dos estúdios desde a era do VHS, a pirataria continua tirando o sono de muitos executivos do entretenimento – principalmente no Brasil. Um relatório divulgado em fevereiro deste ano, sob responsabilidade da Akamai, empresa global de cibersegurança e entrega de experiências digitais, mostra a persistência da pirataria online no Brasil. Em 2021, o País ficou em 5º lugar no ranking global de acessos em sites de pirataria, atrás de Estados Unidos, Rússia, Índia e Turquia na lista.
Com o nome de Piratas à Vista, o relatório de segurança da Akamai, em colaboração com a Muso, empresa de tecnologia antipirataria, forneceu dados sobre a atividade de pirataria de streaming e download nos setores impactados (cinema, TV, música, editorial e softwares) e ilustra como a pirataria continua sendo financeiramente prejudicial a essas indústrias no País. Segundo o estudo, foram 4,5 bilhões de streams e downloads não licenciados entre janeiro e setembro de 2021.
Globalmente, 61,5% dos consumidores que visitaram websites de pirataria os acessaram diretamente, enquanto 28,6% pesquisaram ativamente por eles. É um prejuízo imenso, que tira boa parte dos rendimentos de empresas. Segundo um levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP), apenas em 2020, o mercado ilegal custou R$ 287 bilhões ao Brasil, atingindo principalmente as áreas de música e televisão.
“Além do evidente aumento dos volumes praticados, o entendimento do que é a pirataria inclui fatores econômicos e fatores tecnológicos. Especialistas identificaram que a pandemia causou não só uma explosão no consumo de conteúdo digital, mas também na pirataria desse conteúdo. Obviamente, existem enormes interesses econômicos, tanto pelo lado dos negócios quanto do crime”, diz Claudio Baumann, diretor da Akamai na América Latina.
Globalmente, os principais setores pirateados foram televisão, 64 bilhões de visitas totais, editoração (30 bilhões de visitas totais), cinema (14,5 bilhões de visitas totais), música (10,8 bilhões de visitas totais) e software, que inclui videogames e softwares modernos para PC (8,9 bilhões de visitas totais).
Quando os serviços de streaming começaram a ganhar força no Brasil e no mundo, muitos especialistas apontavam que esse seria o fim da linha para a pirataria. Afinal, é muito mais simples e cômodo pagar uma certa quantia em dinheiro para ter uma boa quantidade de conteúdo com alguns toques no controle remoto. No entanto, não foi o que aconteceu.
Segundo o relatório, muitas das conversas que os pesquisadores da Akamai observaram online, relacionadas à pirataria, mostram que enquanto um determinado programa ou filme está sendo pirateado, quem procura por esse conteúdo também paga para acessar outros serviços de streaming de forma legal. “Parte (da pirataria no Brasil) ainda se dá pela falta de acesso a certos conteúdos na região”, explica o executivo.
Além disso, vale lembrar que algumas distribuidoras adotaram uma tática de “digital first” em 2021 – em outras palavras, priorizaram o digital. Foi o caso da Warner: nos Estados Unidos, o estúdio lançava seus filmes no HBO Max simultaneamente com os cinemas, enquanto demorava um pouco mais para esse lançamento digital no Brasil. Com isso, abriu-se uma janela em que a pirataria acontecia sem freios e sem controle.
“É importante lembrar, porém, que existem dois caminhos diferentes na pirataria hoje. De um lado, há quem pirateia filme e está no streaming, que poderia assistir com uma assinatura de R$ 15. Do outro, há um problema dos próprios serviços de streaming, que não oferecem filmes antigos, filmes clássicos”, diz Hugo Harris, professor e coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Uma coisa é assistir Viúva Negra, que está com fácil acesso. Outra coisa é pegar um filme oculto de 1943.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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