Teatro & DançaUm brasileiro pediu demissão da companhia de balé American Ballet em Nova York após acusação de assédio
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Redação O Sul
| 22 de dezembro de 2017
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Gomes é investigado por suposto caso de assédio cometido há 8 anos. (Foto: Reprodução)
O principal bailarino do ABT (American Ballet Theatre), de Nova York, o brasileiro Marcelo Gomes pediu demissão da companhia de ballet onde estava há duas décadas, em meio a uma investigação de um caso de assédio sexual que teria ocorrido há 8 anos. O American Ballet Theatre divulgou nota na quinta-feira (21), informando que iniciou uma investigação independente depois de tomar conhecimento de uma alegação “muito perturbadora” sobre Gomes no último sábado (16).
“A ABT não tolera o comportamento alegado”, disse a companhia por e-mail, segundo a mídia local. A companhia novaiorquina também informou que o suposto caso de assédio não envolveu membros ou ex-integrantes da empresa e não está relacionado com o trabalho de Gomes no American Ballet Theatre. “No meio da investigação, o Sr. Gomes apresentou sua demissão”, afirmou o presidente da companhia, Andrew F. Barth.
O dançarino brasileiro se pronunciou sobre o assunto por meio de uma porta-voz. Em uma declaração, Lisa Linden afirmou que “este é um momento de reflexão para Marcelo, ele está grato e fortalecido pelo apoio que recebeu de familiares, amigos e colegas”, segundo a agência Associated Press.
Segundo caso em NY
O pedido de demissão de Gomes ocorre menos de um mês após outra companhia de ballet novaiorquina, a New York City Ballet, divulgar que seu líder de longa data, o coreógrafo Peter Martins, foi afastado do cargo durante uma investigação de assédio sexual.
Marcelo Gomes
O bailarino brasileiro, de 38 anos, nasceu em Manaus (AM) e iniciou a carreira no Rio de Janeiro. Em 1997, aos 18 anos, foi convidado a integrar o corpo de ballet do ABT, e foi promovido a bailarino principal da companhia em 2002.
Ele estrelou “Sinatra Suite”, da coreógrafa Twyla Tharp, e em seguida obteve licença da companhia para participar de diferentes projetos fora da empresa, como artista convidado do Kirov, da Rússia, e do Royal Ballet, no Reino Unido. Em 2013, estreou no Bolshoi.
Gomes participou de “The Car Man”, de Matthew Bourne, e do “Lago dos Cisnes”, e foi Carabosse em “A Bela Adormecida”. Ele recebeu um Prêmio de Revista de Dança em 2015 e foi coreógrafo da campanha de TV “I Will What I Want”, estrelada pela dançarina Misty Copeland.
Protesto no Globo de Ouro
Atrizes como Jessica Chastain, Meryl Streep e Emma Stone estariam organizando um protesto contra o assédio sexual para a cerimônia de premiação do Globo de Ouro no dia 7 de janeiro. A informação é da revista People. De acordo com a publicação, várias atrizes pretendem ir à cerimônia vestidas de preto e, possivelmente, estender a manifestação para outras premiações durante a temporada.
O ano de 2017 foi marcado por denúncias de assédio sexual contra nomes de peso no entretenimento, como Harvey Weinstein, Dustin Hoffman e Louis C.K. Esta será a primeira cerimônia dos Globos de Ouro depois da revelação do escândalo de crimes sexuais protagonizado pelo influente produtor cinematográfico Harvey Weinstein, entretanto seguida de uma torrente de denúncias contra nomes influentes de Hollywood e de outros sectores da sociedade norte-americana.
Uma das atrizes nomeadas para o Globo de Ouro, Jessica Chastain, que tem escrito sobre o caso Weinstein, disse estar a par do protesto e desafiou também os homens a assumirem uma posição pública. “Estou cansada de ver a imprensa exigir que apenas as mulheres falem. E quanto aos homens? Talvez muitos tenham medo de olhar para o seu próprio comportamento”, defendeu.
Segundo a The Hollywood Reporter, os looks vão simbolizar a igualdade de gênero. À Entertainment Weekly, uma fonte acrescentou que esta “aesthetic noir” pode continuar a marcar outras cerimônias de prêmios em 2018. E há outro tipo de ações planejadas. Nos Screen Actors Guild Awards, por exemplo, só serão permitidas apresentadoras femininas, em mais um gesto de solidariedade para com as vítimas.
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