Domingo, 10 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de dezembro de 2024
A alta prevalência do HIV no Rio Grande do Sul é uma realidade na história epidemiológica do Estado. Para marcar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º de dezembro), o governo gaúcho deflagrou uma campanha de combate ao preconceito contra os indivíduos com o vírus – iniciativa em sintonia com o mês temático “Dezembro Vermelho”, criado pelo Ministério da Saúde para estimular a conscientização sobre o tema.
Intitulada “Preconceito? Negativo”, a mobilização tem como foco os aspectos sociais que envolvem a condição. A abordagem se dá por meio da internet, redes sociais e peças publicitárias afixadas em ônibus e painéis públicos.
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) causa a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids, na sigla em inglês), que age no organismo enfraquecendo o sistema imunológico, tornando-o mais suscetível a doenças e infecções. Se o HIV não é tratado, pode evoluir para a Aids, que não é uma doença em si, mas sim o estágio final da infecção.
A busca pela eliminação da transmissão vertical do HIV é uma das metas globais da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem sido um compromisso estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos anos.
Situação
Os dados do boletim epidemiológico de 2023 (o mais recente a ter divulgação oficial pelo Ministério da Saúde) indicam no período de 2012 e 2022 uma redução de 45,2% na taxa de detecção de aids no Rio Grande do Sul. Apesar disso, o Estado ainda tem uma taxa superior à do Brasil e a sexta mais elevada entre os estados brasileiros.
A taxa de detecção do HIV em gestantes no Estado em 2022 é de 7,5 casos para cada mil nascidos vivos. Já em Porto Alegre, o índice é de 16 para mil, ocupando a primeira posição entre as capitais brasileiras.
Apesar de declínio do coeficiente de mortalidade por aids entre os gaúchos nos últimos anos, ainda está acima da média nacional e em primeiro lugar no ranking. Quanto à Capital, apesar da diminuição de 4,4% da mortalidade em 2021–2022, a cidade tem o maior coeficiente entre as capitais: 23,8 óbitos por cem mil habitantes.
Iniciativas
A Política Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV e Aids (Previne RS) atua em diversas frentes no enfrentamento da contaminação no Rio Grande do Sul. O programa nasceu com o objetivo de promover ações articuladas da Secretaria Estadual da Saúde (SES) para responder à complexa situação que envolve a alta prevalência.
Na base estão os seguintes eixos: eliminação da transmissão vertical do HIV e da sífilis, prevenção de novas infecções, redução da mortalidade e fortalecimento da sociedade civil.
Dentro do Previne RS, a SES realiza o programa “Geração Consciente”, realizado em 429 escolas da rede pública em 48 municípios. A principal finalidade é promover a saúde integral dos adolescentes a partir de eixos temáticos trabalhados ao longo do ano: aprendizagem socioemocional, prevenção às vulnerabilidades, bullying e violências, prevenção combinada do HIV, direitos sexuais e reprodutivos.
“O Geração Consciente oferece aprendizado interativo, dinâmico, bem como instrumentalização de professores, que realizam percursos formativos e aplicam as metodologias ativas em sala de aula com os alunos”, ressalta a Secretaria. “As 150 escolas mais bem pontuadas finalizam o percurso de um ano no Arena Geração Consciente.”
Além dessa iniciativa, em 2024, o governo do Estado instituiu os Centros Regionalizados de Atenção Integral e Prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis, ao HIV/Aids e coinfecções (Craip), por meio da Portaria SES 361/2024, aportando orçamento anual de R$ 25 milhões.
A Certificação Estadual da Eliminação da Transmissão Vertical do HIV e/ou da Sífilis e os Selos de Boas Práticas para a Eliminação da Transmissão Vertical do HIV e/ou da Sífilis representam um avanço. Até o final de dezembro serão certificados municípios de 50 a 100 mil habitantes e que alcançaram metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. As cidades de maior porte serão certificadas diretamente pela pasta federal.
(Marcello Campos)
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