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Saúde Câncer de próstata, a doença silenciosa que pode levar nove anos para se manifestar

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Quem tem a partir de 50 anos deve fazer o exame de toque retal anualmente. Crédito: Reprodução

Em um bate-papo de bar o assunto é piada. Para a maioria dos homens, um tabu, capaz de ferir a masculinidade. A realidade é que o “temido” toque retal é rápido, indolor e a única garantia de um diagnóstico precoce do câncer mais comum entre os homens. Se descoberto em fase inicial, as chances de cura são de 90%.

É para alertar sobre o câncer de próstata que o Novembro Azul, campanha de conscientização sobre a saúde do homem, começou no início deste mês. O principal intuito é conscientizar quem tem a partir de 50 anos a fazer o exame de toque retal anualmente. Para quem tem histórico da doença na família, a instrução é começar aos 45 anos.

“Temos de falar com exaustão do assunto porque ainda há muito preconceito em volta dele. Hoje, metade dos homens na idade não fazem o exame e parte dos que procuram um urologista só vai porque é incentivado pelas mulheres”, afirmou o urologista do IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer) Alvaro Bosco.

Silenciosa, a doença pode levar nove anos para o surgimento dos primeiros sintomas. Por isso, a análise da próstata permite ao urologista identificar se há alguma alteração no tamanho e textura. O procedimento e o teste de PSA (exame de sangue que identifica variação na próstata) são os únicos meios de descobrir anormalidades na glândula, responsável pela produção de parte do sêmen, que protege o espermatozoide.

“É muito comum o paciente chegar ao urologista já com o PSA alterado. Isso ocorre porque, sabendo da falta de hábito de procurar um urologista, o cardiologista ou clínico pede o teste de PSA durante um check-up”, explicou Bosco. A oncologista Lucíola de Barros Pontes, no entanto, alerta que o exame faz uma análise parcial. “Ele só identifica o câncer em 30% dos casos. A biópsia é o que determina o câncer e seu estágio”, alertou.

Diagnóstico.
Foi graças ao hábito de fazer o exame de toque retal anualmente que o corretor de imóveis, José Eduardo Laperza, 69 anos, teve o diagnóstico de câncer de próstata logo no início da doença.

Identificar no começo garantiu ao idoso se livrar do problema quatorze meses depois de receber a notícia do médico. “Em agosto do ano passado, eu retirei a próstata e hoje não tomo mais nenhum medicamento. Levo uma vida saudável. Eu sinto como se não tivesse tido esse câncer”, comemorou Laperza.

Antes de passar pelo tratamento, o idoso já enfrentava outro problema com a glândula, o HPB (Hiperplasia Prostática Benigna). Mesmo não tendo qualquer relação com o câncer, Laperza fez por duas vezes a biópsia com receio de ter a enfermidade. “Em todas as vezes não apareceu nada, mas neste ano foi verificada uma alteração.”

No mesmo período do diagnóstico de Laperza, um de seus amigos próximos também ficou sabendo que estava com o câncer, mas em estágio de metástase – quando o tumor já se espalhou para outros órgãos e ossos. “Ele não sobreviveu. Perdi o meu amigo.”

É por ser uma doença de evolução lenta que o acompanhamento com o urologista precisa ser constante. De acordo com o médico Alex Meller, alguns casos só exigem o acompanhamento médico, excluindo a necessidade de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. “Depende da idade do paciente e o estágio da doença. Se for logo no início e ele já tiver uma idade avançada, não é preciso uma intervenção cirúrgica. O médico apenas acompanha”, explicou Meller. (DSP)

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