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Mundo Casamentos judaicos gays enfrentam protestos dentro e fora da comunidade

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Edith Windsor, autora da ação que derrubou em 2013 a DOMA (Lei de Defesa do Casamento) americana – que barrava uniões homossexuais – diante da rabina-chefe da sinagoga Beit Simchat Torah, Sharon Kleinbaum (D), que há décadas apoia os relacionamentos homoafetivos. (Crédito: Reprodução)

A CBST (Congregação Beit Simchat Torah) é uma sinagoga localizada em Manhattan, Nova York (EUA), que foi fundada em 1973 e hoje se descreve como o maior templo judaico do mundo LGBT. Em 26 de junho deste ano, 600 pessoas se encontraram no local para celebrar o Shabat (serviço religioso celebrado às sextas-feiras) apontado como o primeiro oficialmente gay da história e também comemorar a decisão proferida pela Suprema Corte dos Estados Unidos naquela manhã, que legalizou a união gay no país.
A sede própria da Beit Simchat Torah está em construção e deverá ser inaugurada no final do ano. E, ainda que a congregação tenha a cada ano mais membros, homo e heterossexuais, não deixa de enfrentar protestos dentro e fora da comunidade religiosa.

Seus membros já foram vítimas de atos de hostilidade de grupos conservadores que não os consideram judeus. A Organização Ortodoxa Judaica, que reúne mil congregações americanas, afirmou, em nota, que condena a discriminação de indivíduos, mas que “a nossa religião é enfática em definir casamento como uma relação entre homem e mulher. Nossa crença é inalterável”. E a oposição não é restrita à esfera da fé. Encontra eco na mesma Suprema Corte que, por 5 votos a 4, determinou que o casamento gay é direito assegurado pela Constituição.

“[A legalização] será usada para difamar os americanos que não querem assentir com esse novo tipo de ortodoxia”, escreveu, em seu voto, um dos quatro ministros contrários, Samuel Alito. “Esse entendimento de casamento, focado quase que inteiramente na felicidade das pessoas que escolhem se casar, é compartilhado por muita gente hoje, mas não é o entendimento tradicional. Durante milênios, o casamento era, inextricavelmente, ligado ao que apenas casais de sexo oposto podem fazer: procriar”, contestou Alito.

“Há muitas maneiras de se interpretar a tradição”, responde a rabina-assistente da Beit Simchat Torah, Rachel Weiss. “E isso muda ao longo do tempo, de acordo com o que acontece no mundo.” Assim como a pena de morte, a condenação da homossexualidade também deixou de se enquadrar no texto sagrado, compara a rabina.

“Toda pessoa é criada à imagem de Deus, e sabemos que ser gay ou lésbica não é uma escolha, é o que somos. O judaísmo preza a dignidade das pessoas e aceita que amemos e sejamos quem somos.”

No Brasil, também existem sinagogas afiliadas aos movimentos que chancelam o casamento gay, afirma o rabino Michel Schlesinger. A Congregação Israelita Paulista, na qual ele atua e uma das maiores do País, adota interpretação mais tradicional.

“Penso que as sinagogas devem acolher com dignidade os casais homossexuais e buscar um espaço ritual para a celebração de sua união. A liturgia tradicional de um casamento judaico foi composta para um casal heterossexual e portanto, em minha opinião, não se aplicaria a um matrimônio gay”, afirma Schlesinger.

No limite, cabe ao cidadão decidir qual templo frequentar. E o veredicto está nos fatos, diz Rachel. “Enquanto sinagogas nos Estados Unidos estão morrendo, a nossa só cresce”, comemora. E isso ocorre literalmente: depois dos anos 1990, quando tornou-se mais acessível a casais gays adotarem crianças nos Estados Unidos, membros da sinagoga começaram a trazer seus filhos para os rituais. A Beit Simchat Torah, então, expandiu suas atividades. Hoje, oferece cursos religiosos, convivência comunitária e, importante, acaba sendo o ponto de partida de novas histórias de amor. (Folhapress)

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