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Saúde Casos graves da mutação brasileira do coronavírus desafiam os médicos

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Os sinais de piora na evolução dos doentes são muitos. (Foto: Reprodução)

Desde fevereiro, quando a variante de Manaus do coronavírus passou a lotar hospitais, médicos passaram a observar uma maior gravidade dos casos. Em Araraquara (SP), onde o número de internações explodiu com a chegada na nova cepa, especialistas acompanham com preocupação a evolução da doença.

Depois de dez dias de lockdown, o número de casos no município do interior paulista caiu, mas o número de internados em estado grave ainda surpreende. Segundo a Secretaria de Saúde de Araraquara, 0,8% dos pacientes com Covid-19 hospitalizados em 2020, em UTI ou enfermaria, morreram. Este ano, com a predominância da nova cepa, a taxa subiu para 1,7%.

“A doença evolui de uma maneira diferente. O paciente que está conversando com você pela manhã, à tarde já está com insuficiência respiratória e à noite, intubado”, diz Eliana Honain, secretária de Saúde do município, onde 93% das infecções já são causadas pela variante de Manaus, denominada P1.

Os sinais de piora na evolução dos doentes são muitos. Os médicos de Araraquara relatam acometimento maior do pulmão, o que leva o paciente a necessitar de intubação mais cedo, mais casos de danos aos rins, com necessidade de diálise, e mais ocorrências de Acidente Vascular Cerebral (AVC), provocado por coágulos nos vasos sanguíneos. O agravamento, que ocorria, em geral, depois do sexto dia dos primeiros sintomas, agora ou acontece logo nos primeiros dias ou surge depois de 10, 12 dias de infecção. A carga viral colhida nos exames de PCR também é maior – o aumento vai de 10 a 100 vezes.

“Parece outra doença, com o paciente mais inflamado, precisando de intubação mais cedo. Antes acompanhávamos os casos e, quando passava do décimo dia, falávamos ‘ufa’, passou da fase crítica. Agora a doença deu uma arrastada, ampliou o leque de tempo de complicação”, diz o infectologista André Peluso Nogueira, diretor técnico da Santa Casa de Araraquara.

Não há estudos científicos que descrevam maior agressividade da doença ou maior letalidade, mas à beira dos leitos os profissionais se surpreendem com a condição dos pacientes inclusive devido à outra característica dessa segunda onda da pandemia, que é um número muito maior de jovens infectados.

“Poderia ser apenas efeito estatístico. Ter mais casos e, portanto, mais casos graves. Mas nossa experiência clínica, de quem esteve e está na linha de frente, é que estão mais graves”, concorda o pneumologista Flávio Arbex, que atua em hospitais públicos e privados do município.

Segundo o diretor técnico da Santa Casa, mesmo com maioria de pacientes abaixo de 60 anos, 40% dos que são internados em UTI acabam sofrendo agravo nos rins e precisam fazer diálise. Outros 15% dos internados têm eventos neurovasculares, como AVC.

Como há mais jovens hospitalizados, o tempo de internação dobrou, de 15 para 30 dias. Com mais tempo intubado, o paciente acaba tendo de ser submetido a outro procedimento, a traqueostomia. Arbex explica que, após 14 dias intubado, há risco de lesionar a traqueia. Os sedativos e bloqueadores musculares, usados na intubação, também acentuam a perda e a atrofia da musculatura, levando os infectados a um período maior de reabilitação depois da alta. “Muitos pacientes têm alta e continuam dependentes de oxigênio suplementar por 20 a 30 dias”, diz Arbex. As informações são do jornal O Globo.

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