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Brasil Cerimônia de abertura da Paralimpíada aborda a inclusão

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Cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Embora disponham de orçamento bem mais enxuto, os criadores da abertura da Paralimpíada, que acontece neste momento, no Maracanã, prometem um espetáculo tão impactante quanto as cerimônias que iniciaram e encerraram a Olimpíada.

Fugindo dos clichês associados aos atletas paralímpicos – de que são heróis, exemplos de superação –, a equipe criativa, encabeçada pelo artista plástico Vik Muniz, pelo escritor Marcelo Rubens Paiva e pelo designer Fred Gelli, buscou tratar a questão da deficiência física com naturalidade, leveza e humor, desconstruindo preconceitos, promovendo a inclusão.

Dois slogans darão o tom da festa: “Everybody has a heart” (frase de duplo sentido, “todo mundo tem um coração” e “todo corpo tem um coração”) e “The heart has no limits” (“o coração não tem limites”). A relação homem-máquina será um dos temas.

Biamputada, a medalhista paralímpica de snowboard norte-americana Amy Purdy prepara uma apresentação de deixar o público pasmado. Famosa por atuar no programa “Dancing with the stars”, uma das maiores audiências da TV dos Estados Unidos, ela dançará alguns minutos usando uma perna mecânica e com um “parceiro surpresa”.

“Na minha apresentação haverá uma mensagem sobre a experiência humana com a tecnologia, de que podemos trabalhar juntos. Estou entusiasmada. É um desafio para mim”, disse a atleta. “Ela é a nossa Gisele Bündchen”, brincou Rubens Paiva, referindo-se ao elogiado desfile feito pela supermodelo na abertura da Olimpíada.

São 2 mil voluntários e 70 dançarinos profissionais na festa. Na parte dedicada à praia, participarão o surfista Rico de Souza e Davi Teixeira, de 11 anos, campeão de surfe adaptado (o atleta não fica em pé na prancha), com uma performance sobre skates com atletas paralímpicos e bailarinos. O biscoito polvilho Globo, criticado em reportagem do New York Times, será saudado como símbolo das praias cariocas.

Dez dançarinos, sendo cinco cadeirantes, coreografados pela professora de dança Camila Rodrigues, da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), estarão no segmento que falará da roda, como símbolo da locomoção – na cadeira dos deficientes, bicicletas, automóveis. “Sem a roda, todos somos deficientes de alguma forma. Nenhum corpo humano é totalmente eficiente”, disse Vik. Um par de bailarinos cegos estrelará um dueto.

Enquanto as cerimônias da Olimpíada tiveram o compromisso de apresentar a cidade-sede e exaltar a cultura brasileira, a abertura da Paralimpíada é mais livre. O protocolo é semelhante – discursos, entrada de bandeiras e atletas, acendimento da pira, formação do símbolo paralímpico (saem os cinco aros e entram os três agitos, que simbolizam o corpo em movimento) –, mas os segmentos artísticos “são mais voltados ao indivíduo”, definiu o artista plástico.

Um dos produtores, o italiano Andrea Varnier garantiu uma cerimônia tão bonita quanto as da Olimpíada. “Sei que é inevitável a comparação. Mas são diferentes orçamentos. Cada cerimônia é um evento único. As pessoas agora já sabem do que somos capazes de fazer. Por outro lado, a expectativa cresce. Não queremos tratar do tema da deficiência como de costume. Vamos envolver o público emocionalmente”, afirmou Varnier.

“É uma momento inspirador, que transcende a dimensão do esporte. A gente vive num mundo intolerante com o diferente. Um dos objetivos dos jogos é reduzir preconceitos. Os atletas não gostam dessa imagem de super-heróis, super-humanos”, disse Fred Gelli.

O orçamento é “significativamente menor”, ressalvou o produtor executivo Flávio Machado, que não abre os números. As quatro cerimônias, de abertura e encerramento da Olimpíada e Paralimpíada, somam R$ 250 milhões. O sucesso da Olimpíada fez a procura para a festa explodir: na sexta-feira, havia apenas 4 mil ingressos à venda, dos 50 mil ofertados.

A festa terá duração estimada em 2 horas e 45 minutos e é transmitida por SporTV e TV Brasil. O desfile dos 4 mil atletas, de 163 países, durará um pouco mais do que a da abertura da Olimpíada, por causa de dificuldades de locomoção.

A cerimônia abordará os sentidos, especialmente visão e audição. O Hino Nacional será tocado pelo pianista e maestro João Carlos Martins, que usa apenas a mão esquerda, por ter a direita paralisada. Em outro ponto da festa, uma roda de samba reunirá os cantores Diogo Nogueira, Maria Rita e Gabrielzinho do Irajá, que é cego, os músicos Hamilton de Holanda e Pretinho da Serrinha e pastoras da Portela, com o baluarte Monarco.

“Nosso desejo foi fugir de todos os estereótipos sobre deficiência e esporte, que as pessoas usam por pura preguiça. A palavra ‘superação’ está proibida nas cerimônias da Paralimpíada há muitos anos. Sofri o acidente aos 20 anos e não superei. Um atleta não está realizando um sonho, e sim trabalha muitos anos para chegar ali, como uma atleta da Olimpíada”, disse Rubens Paiva, paraplégico há 37 anos.

Para os criadores, a cerimônia será um momento de elevar a autoestima de deficientes em todo o mundo – a audiência é estimada em 1 bilhão de pessoas (um terço da calculada para a abertura da Olimpíada).

Depois de passar por Brasília, Belém, Natal, São Paulo e Joinville, a chama paralímpica acenderá a pira no Maracanã, apagada no encerramento da Olimpíada. A réplica da pira mantida para visitação no Boulevard Olímpico, no centro da cidade, voltará a ser acesa também.  (AE)

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