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Mundo “Chega de frescura, de ‘mimimi'”: frase de Bolsonaro sobre a pandemia repercute na imprensa internacional

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Washington Post afirma que "o vácuo de liderança de Bolsonaro deu ao vírus uma abertura para se espalhar". (Foto: Reprodução)

A declaração do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sobre medidas de restrição em meio a recorde de mortes por covid-19 no País repercutiu na imprensa internacional. Ele fez o comentário durante um evento na quinta-feira (4) em Goiás:

“Vocês não ficaram em casa. Não se acovardaram. Temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”, disse o presidente do Brasil.

Segundo o colunista do G1, Gerson Camarotti, Bolsonaro tem método ao falar sobre “mimimi”: o presidente divide a sociedade pensando na eleição e tenta criar uma cortina de fumaça após a revelação da compra de uma mansão de R$ 6 milhões pelo filho Flávio.

Veja abaixo a repercussão internacional:

Reuters

A agência de notícias Reuters destaca que a declaração foi feita após dois dias seguidos de recorde de mortes e que o Brasil é o segundo país com mais óbitos no mundo, só atrás dos Estados Unidos.

“O governo federal tem demorado a comprar e distribuir vacinas, com menos de 3,5% da população vacinada”, destaca a reportagem.

Deutsche Welle

A rede alemã DW, que ainda destacava a declaração de Bolsonaro na sua página inicial na manhã de quinta, diz que “os comentários do líder de extrema-direita ocorrem no momento em que o Brasil atravessa sua semana mais mortal da pandemia do coronavírus, com mais de 1,3 mil mortes por dia”.

Washington Post

“O solo fértil para variantes no Brasil é uma ameaça ao mundo inteiro”, escreve o comitê editorial do jornal “Washington Post”, o principal da capital americana. Sem citar a frase do “mimimi”, o jornal lembra que Bolsonaro chamou a covid-19 de “gripezinha” e “apoiou remédios inúteis como a hidroxicloroquina”.

O editorial diz que o Brasil “parece incapaz de sair do abismo” e traça um paralelo com a postura do ex-presidente americano Donald Trump nos EUA. “O vácuo de liderança de Bolsonaro deu ao vírus uma abertura para se espalhar”.

O “Washington Post” destaca a preocupação de cientistas de que a variante brasileira pode estar reinfectando quem já teve covid-19 anteriormente.

“O que acontece no Brasil não fica no Brasil”, ressalta o editorial. “Como o epidemiologista Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, disse ao Post: ‘se o Brasil não controlar o vírus, será o maior laboratório aberto do mundo para o vírus sofrer mutação’. Isso é um problema para todos”.

Clarín

O principal jornal da Argentina destaca que, “em meio ao caos”, Bolsonaro “voltou a minimizar a pandemia”, “chamou de ‘covardes’ os que cumprem o distanciamento social” e “se rebelou contra os que lhe pedem para comprar vacinas”.

“Com recorde de mortes, hospitais à beira do colapso e uma campanha de vacinação em câmera lenta, o Brasil vive a fase mais mortal da pandemia do coronavírus. No entanto, seu presidente novamente voltou a minimizá-la”.

BBC

“O Brasil está enfrentando sua pior fase da pandemia, deixando seu sistema de saúde em crise”, afirma reportagem da BBC News, do Reino Unido, dizendo que “ainda assim, na quinta-feira (4), Bolsonaro continuou a minimizar a ameaça representada pelo vírus”.

A reportagem cita as medidas de restrição que Estados e municípios têm adotado para frear o avanço da pandemia e destaca a cepa brasileira do novo coronavírus, dizendo que “a explosão de casos foi atribuída à disseminação de uma variante altamente contagiosa”.

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