Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de junho de 2023
O governo da China recusou um convite dos Estados Unidos para uma reunião, em Singapura, entre o secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, e o ministro da Defesa chinês, Li Shangfu, feito no início do mês. O encontro ocorreria esta semana.
O Pentágono divulgou a resposta chinesa, em um comunicado, na segunda-feira, em que afirma que “a falta de vontade da RPC (República Popular da China) em participar de discussões de natureza militar não diminuirá o compromisso (do Departamento de Defesa) em buscar linhas abertas de comunicação com o Exército de Libertação Popular”.
Consultado sobre a reunião, o Ministério das Relações Exteriores da China não confirmou ter rejeitado o convite. “Os Estados Unidos sabem claramente porque atualmente há dificuldades na comunicação militar entre China e Estados Unidos”, afirmou a porta-voz Mao Ning, na terça-feira.
“Os Estados Unidos devem respeitar seriamente as preocupações de soberania, segurança e interesses da China, corrigir de imediato suas ações incorretas, mostrar sinceridade e criar a atmosfera e as condições para o diálogo militar entre China e Estados Unidos”, completou a porta-voz.
De acordo com um alto funcionário do Departamento de Defesa americano, desde 2021 a China “recusou ou não respondeu a dezenas de pedidos do Departamento de Defesa para a participação de líderes-chave, múltiplas solicitações de diálogos permanentes e cerca de dez compromissos de trabalho”.
O ministro chinês Li Shangfu sofreu sanções do governo americano, em 2018, pela compra de armas russas, mas o Pentágono afirma que isso não impede o secretário americano de tratar de assuntos oficiais com ele.
Nesta quinta-feira (1°), o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, expressou frustração com a resposta negativa da China sobre a reunião com seu homólogo chinês. Ele considerou a recusa “infeliz” e afirmou que a falta de comunicação contínua entre os dois países pode levar a um incidente que poderia rapidamente “sair de controle”.
O secretário também expressou preocupação com as recentes “interceptações provocativas” de aeronaves dos EUA e de seus aliados por parte da China, mencionando o recente incidente em que um caça chinês executou uma manobra “agressiva” perto de um avião americano de vigilância no Mar da China Meridional.
“Você já me ouviu falar várias vezes sobre a importância de países com grandes capacidades significativas serem capazes de conversar entre si para que possamos gerenciar crises e evitar que as coisas saiam de controle desnecessariamente”, disse Austin em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, no Japão, ao lado do ministro da Defesa japonês, Yasukazu Hamada. “Estou preocupado que, em algum momento, ocorra um incidente que possa rapidamente sair de controle.”
Imagens divulgadas por Washington mostraram um caça chinês passando à frente da aeronave americana, que balança após a turbulência. A China, por sua vez, respondeu que o avião americano invadiu uma zona de treinamento militar.
Apesar das tensões, Austin afirmou que permanece aberto a qualquer oportunidade de diálogo com a China e ressaltou a importância dos Departamentos de Defesa conversarem com frequência.
As relações entre os Estados Unidos e a China têm se deteriorado nos últimos meses, especialmente após a visita da ex-presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, à ilha autônoma de Taiwan em agosto do ano passado e a derrubada de um suposto balão de espionagem chinês que sobrevoou áreas sensíveis de instalações militares dos EUA em fevereiro deste ano. As informações são do jornal O Globo e da agência de notícias AFP.
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