Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de outubro de 2017
Cientistas da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, criaram um composto que em testes de laboratório se mostrou capaz de induzir o “suicídio” de células cancerosas sem, no entanto, matar as saudáveis. Trata-se de um avanço para alguns casos da doença — como a leucemia mieloide aguda — resistentes a tratamentos semelhantes. Segundo pesquisadores, embora os experimentos com o composto, designado BTSA1, ainda estejam em fase muito preliminar, os procedimentos demonstraram potência e seletividade no ataque a células deste tipo de leucemia, a partir de testes pré-clínicos, que devem ser alvo de mais estudos.
É preciso verificar se o BTSA1 também funciona contra outros cânceres, inclusive tumores sólidos, e investir o desenvolvimento de novos fármacos com base nele.
“Estamos esperançosos de que os compostos direcionados que estamos desenvolvendo se provem mais eficazes do que as atuais terapias anticâncer ao levar as células cancerosas diretamente para a autodestruição”, destacou Evripidis Gavathiotis, professor de Bioquímica e Medicina da faculdade americana e autor sênior de artigo sobre a pesquisa, publicado ontem no periódico científico “Cancer cell”: “Idealmente, nossos compostos serão combinados com outros tratamentos para matar as células cancerosas mais rapidamente e mais eficientemente, com menos efeitos adversos, um problema tão comum com as quimioterapias tradicionais.”
O novo composto tira proveito de uma capacidade natural de nossas células. Unidades básicas da vida, elas também podem ser o caminho da morte: são equipadas com mecanismos de autodestruição, que são ativados em muitos destes casos.
Produção de proteína é o segredo
Mesmo que o organismo tenha mecanismos de destruição celular, em vários tipos de câncer, as células doentes também passam a fabricar grandes quantidades de substâncias que “desligam” este sistema, chamadas antiapoptóticas. Então, numa espécie de cabo de guerra molecular, as células continuam se reproduzindo e se espalhando pelo organismo.
O BTSA1 age estimulando a produção de uma proteína, a BAX, que provoca o surgimento de buracos na membrana das mitocôndrias, as usinas de energia das células, levando-as à morte. Assim, o novo composto, basicamente, faz a briga tender para o lado do “suicídio” celular ao ultrapassar a capacidade da célula cancerosa em desativar esta proteína.
“O composto BTSA1 provou ser o ativador de BAX mais potente, causando apoptose rápida e extensa quando adicionado a várias linhas celulares diferentes”, explicou outro autor do estudo, Denis Reyna, estudante de doutorado no laboratório de Gavathiotis.
Entendendo o câncer
Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.
As causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando inter-relacionadas. As causas externas referem-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de uma sociedade. As causas internas são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas, e estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas.
Os tumores podem ter início em diferentes tipos de células. Quando começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, são chamados sarcomas. Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).
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