Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 18 de março de 2016
Pela primeira vez em toda a História, uma equipe de astrônomos identificou um local que dá origem a uma FRB (rajada rápida de rádio, na sigla em inglês), que anteriormente era considerada como “sinais da vida extraterrestre”, informou o jornal científico Nature.
As FRBs são eventos espaciais explosivos que deixam os astrônomos intrigados por décadas. Em milissegundos, essas explosões geram tanta energia quanto o Sol faz em um dia inteiro, mas por detectarmos elas tão raramente (até hoje foram 17), praticamente não temos ideia de onde elas vêm.
Uma equipe internacional de astrônomos foi capaz de identificar a origem de uma dessas explosões, e os resultados fornecem algumas pistas importantes sobre o que pode estar causando-as. Anteriormente, quando os astrônomos sabiam menos sobre as rajadas, alguns deles afirmavam que estas ondas de rádio eram sinais enviados por civilizações extraterrestres de galáxias mais distantes. Agora, porém, eles concluíram que são apenas um fenômeno sideral, e não um sinal alienígena.
Identificação.
A FRB que astrônomos examinaram, FRB150418, foi detectada pelo radiotelescópio Parkes, na Austrália. Ao contrário das 16 rajadas de rádio que tinham sido detectadas antes, esta foi a primeira a ser vista em tempo real, o que significa que os pesquisadores puderam saltar imediatamente em seu rastro.
Em poucas horas, telescópios ao redor do mundo estavam estudando o rastro da explosão de rádio, que durou cerca de seis dias antes de desaparecer. Este esforço combinado permitiu identificar que a FRB tinha vindo de uma galáxia elíptica cerca de 6 bilhões de anos-luz de distância.
“É a primeira vez que fomos capazes de identificar a galáxia anfitriã de um FRB”, disse o pesquisador Evan Keane, que trabalhou no projeto.
Mas rajadas de rádio não são apenas interessante por si só, elas também são ferramentas extremamente úteis usadas para medir o Universo. “O sinal FRB codifica quantos elétrons já passaram por ele”, disse o pesquisador Simon Johnston. “Essencialmente, isso nos permite pesar o Universo.”
Esta pesagem permite aos pesquisadores confirmar que apenas 4% da massa do Universo pode ser encontrada na matéria regular, que é tudo o que podemos ver. O resto está trancado na matéria escura e na energia escura.
“Este é um resultado sólido. Nós pensávamos que a matéria tinha que estar lá, mas realmente é bom ter feito uma medição”, disse Keane. Até o momento, os astrônomos descobriram apenas uma metade dessa matéria ordinária, o resto é desconhecido.
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