Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de maio de 2016
Uma equipe de cientistas dos Estados Unidos descobriu um sistema mais preciso para diagnosticar os estágios mais avançados do Alzheimer, segundo um estudo divulgado pela revista Science Translational Medicine. O Alzheimer é a doença neurodegenerativa progressiva mais comum e acarreta a perda da memória, da fala, do controle emocional e da habilidade de raciocinar e tomar decisões lógicas.
Para os pesquisadores do Departamento de Neurologia da Universidade de Washington em St. Louis, no Estado do Missouri, o novo sistema é um melhor indicador do progresso da doença. Os cientistas estudaram 46 pacientes com Alzheimer.
A causa da doença, que segundo a Organização Mundial da Saúde afeta 47,5 milhões de pessoas no mundo, é o acúmulo no cérebro de proteínas de dois tipos: placas da proteína beta-amiloide e fibras da proteína tau.
Diagnósticos são complementares.
Até então, o exame de diagnóstico conhecido como TEP (tomografia por emissão de pósitrons) focava na beta-amiloide. Graças ao estudo desta proteína, é possível detectar a doença em pacientes em estágios adiantados, para um diagnóstico precoce e confiável do Alzheimer.
No entanto, os médicos necessitavam mais ferramentas para estudar e entender a doença nos estágios mais avançados e assim comprovar quais os tratamentos mais efetivos. A descoberta dos neurologistas do Missouri parte de um estudo com foco em outra proteína que intervém no desencadeamento do Alzheimer: a proteína tau.
Esse exame de diagnóstico analisa a proteína tau no lobo temporal, a parte do cérebro encarregada de processar e decifrar a informação através dos sentidos e da linguagem. Desde o reconhecimento de rostos, de uma voz ou uma melodia, até o controle do equilíbrio ou a regulação de emoções e motivações como a ansiedade, o prazer e a ira, tudo depende do lobo temporal, localizado atrás das têmporas.
Com o novo teste, os médicos observam o comportamento das proteínas acumuladas no cérebro, como interagem à medida que a doença evolui e como reagem aos diferentes tratamentos. Em comparação com os testes baseados na outra proteína, a nova forma de diagnóstico ilustra de maneira mais fidedigna o déficit cognitivo que ocorre no lobo temporal.
A revelação feita pelo estudo não deixa defasados os diagnósticos já existentes, pois ambos se complementam. Enquanto o exame anterior continuará servindo para a detecção precoce, o novo permitirá analisar os estágios mais avançados.
Conhecimento.
A importância deste descobrimento não é apenas sua aplicação imediata, e sim o maior entendimento da patologia, que abre uma porta a várias linhas de pesquisa. Cerca de 90% do que se conhece sobre o Alzheimer atualmente foi descoberto nos últimos 15 anos, desde que as pesquisas focaram no cérebro.
Os diversos efeitos no corpo e na mente fizeram com que a doença fosse frequentemente confundida com a demência senil no passado. Por isso, a Associação Internacional do Alzheimer lembra que a doença não é uma forma de envelhecimento e tenta conscientizar as pessoas para que detectem rapidamente os sintomas, já que, quanto mais cedo for iniciado o tratamento, melhores são as perspectivas.
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