Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

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Capa – Caderno 1 Cientistas reconstruíram um peixe de 400 milhões de anos

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O australiano Brindabellaspis tem sensores que lembram os do ornitorrinco. (Foto: Reprodução)

O Brindabellaspis viveu há cerca de 400 milhões de anos onde hoje está a cordilheira Brindabella Ranges, no Estado australiano de Nova Gales do Sul. Pertencente à classe de peixes extintos dos placodermos, ele é um dos primeiros representantes conhecidos da fauna marinha de recifes, mas, segundo cientistas das universidades Flinders e Nacional da Austrália, era bastante diferente das espécies atuais.

“Este era um peixe com aparência estranha”, afirmou Benecidt King, formado na Flinders e hoje atuando no Centro de Biodiversidade Naturalis, na Holanda, autor da reconstrução anatômica do Brindabellaspis a partir de um fóssil. “Os olhos eram no topo da cabeça e as narinas saíam das órbitas. Havia um longo focinho na frente e as mandíbulas também eram posicionadas muito para frente.”

Fósseis do Brindabellaspis foram encontrados pela primeira vez em 1980, no calcário das margens do Lago Burrinjuck, um antigo recife tropical comparável com a Grande Barreira de Corais. É lá que foram descobertos fósseis de peixes que estão entre os mais antigos do mundo. O Brindabellaspis, por exemplo, viveu 175 milhões de anos antes dos dinossauros.

O fóssil tinha outra surpresa: um sistema sensorial único no focinho, que parece uma modificação do sistema de detecção de pressão presente nos peixes modernos.

“Nós suspeitamos que este animal habitava o fundo do mar”, explicou o professor John Long, de Flinders. “Nós acreditamos que ele usava o bico para procurar presas, como o ornitorrinco, enquanto os olhos procuravam por ameaças de cima.”

O paleontologista Gavin Young, da Nacional da Austrália, passou os últimos 50 anos procurando por fósseis no Lago Burrinjuck, e foi o responsável pela descoberta do Brindabellaspis. Ele explica que existem mais de 70 espécies fósseis já descobertas na região, indicando que este antigo coral era um ponto importante para a evolução, como os recifes de tempos mais recentes. De todas elas, o Brindabellaspis é o mais estranho.

“Quando nós vimos os tubos sensoriais num focinho quebrado, pensamos imediatamente no ornitorrinco”, disse Young. Para Long, a reconstrução do Brindabellaspis mostra que “apesar de ser um dos mais antigos ecossistemas bem estudados incluindo muitas espécies de peixes, os habitantes deste antigo recife não eram, de forma alguma, primitivos”.

“As novas descobertas mostram que eles eram altamente adaptados e especializados”, destacou Long.

Menino descobre fóssil

A visita de uma família de turistas ao Monastério da Candelária, em Ráquira, na Colômbia, rendeu uma importante descoberta paleontológica. Com olhar apurado, um menino de 10 anos identificou os traços de um esqueleto de peixe em duas pedras do calçamento em frente à igreja. Análises posteriores identificaram o fóssil, batizado como Candelarhynchus padillai, um peixe que viveu há 90 milhões de anos e nunca havia sido relatado na região tropical da América do Sul.

“Um garoto estava entrando no monastério para um tour quando notou o formato de um peixe em pedras no chão”, contou Javier Luque, pesquisador da Universidade de Alberta, no Canadá, e coautor do estudo publicado no “Journal of Systematic Palaeontology”.

“Ele tirou uma foto e, alguns dias depois, a mostrou a funcionários do Centro de Investigações Paleontológicas, um museu local com quem colaboramos para a proteção e o estudo de fósseis na região.”

Os funcionários do museu imediatamente reconheceram o fóssil de um peixe e encaminharam a imagem a pesquisadores de Alberta. Alisson Murray, professor de ciências biológicas na universidade, viajou para a Colômbia para ajudar nas investigações. O primeiro passo foi refazer o percurso do jovem turista para tentar localizar as pedras. Eles encontraram o fóssil praticamente intacto.

 

 

 

 

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