Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 3 de junho de 2017
Cinco fabricantes de módulos para airbags, cintos de segurança e volantes para veículos com filiais no Brasil são alvo de processo administrativo aberto pela Superintendência Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em investigação sobre suposta prática de cartel internacional, com efeitos no Brasil.
Segundo o órgão vinculado ao Ministério da Justiça, há indícios de que Autoliv, Takata, Tokai Rika, Toyoda Gosei e ZF/TRW combinavam preços, condições comerciais e descontos em negociações e vendas para as montadoras, além de dividirem o mercado entre elas, impedindo assim a concorrência.
“Também há evidências de que informações comercialmente sensíveis, como preços, volumes, capacidade de produção, entre outras, eram compartilhadas entre esses agentes”, informa o Cade. As práticas, diz o órgão, eram conduzidas por 29 pessoas ligadas às empresas por meio de contatos telefônicos, reuniões e troca de e-mails no período de 2005 a 2011.
Embora as empresas diretamente envolvidas tenham sede em outros países, o Cade explica haver indícios de efeitos no Brasil, seja por meio de exportação para as filiais ou para montadoras. Elas serão notificadas a apresentar defesas e poderão ser multadas caso seja comprovada prática anticoncorrencial.
Multas
A ação aberta ontem faz parte de processo conduzido pelo Cade desde 2014 envolvendo mais de 40 empresas de autopeças e pelo menos 100 executivos do Brasil. Até agora foram abertos 11 processos administrativos e aplicadas multas de mais de R$ 170 milhões.
A última delas, no valor de R$ 20,6 milhões, foi aplicada recentemente à Autoliv por outro processo que a empresa respondia desde 2015.
O valor foi determinado após a direção da Autoliv ter assinado Termo de Compromisso de Cessação, em que reconhece participação nas condutas irregulares e se compromete a cessá-las.
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