Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de julho de 2015
A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre já reduziu 41 leitos atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e está prestes a cortar outros 77 para que se mantenha sustentável. O impacto na saúde não será pequeno. A situação deverá estar definida a partir de outubro e até lá a instituição segue negociando com o gestor municipal a fim de buscar adequação a esta problemática. Hoje sete unidades assistenciais compõem o complexo da Santa Casa, com um total de 1.164 leitos, dos quais 700 vinculados ao SUS. Os resultados financeiros que viabilizam a amplitude da assistência SUS são oriundos dos leitos restantes, que incluem convênios e atendimentos particulares. “São as margens de resultados desta assistência que buscam garantir o equilíbrio econômico e financeiro da instituição”, atesta o diretor-geral e de relações institucionais da Santa Casa, Júlio Flávio Dornelles de Matos.
O faturamento da instituição em 2014 foi de 672 milhões de reais e o total destinado a investimentos na ordem de 32 milhões de reais. Os procedimentos realizados no ano passado chegaram a 6 milhões, incluindo consultas, internações, procedimentos cirúrgicos e obstétricos, exames e diagnósticos opor imagem e tratamento para pacientes não apenas de todo o Rio Grande do Sul mas também de outros 22 Estados da Federação, que buscam cuidados calcados nas especializações que a instituição oferece. No demonstrativo de resultados da assistência ao SUS, onde estão incluídos atendimentos ambulatoriais e a pacientes internados de média e alta complexidade, já considerando os incentivos recebidos, a margem de resultados financeiros é negativa em todos os segmentos. Na área ambulatorial este déficit chega a 52%, na média complexidade a 158% e na alta complexidade a 18%. “Não existem políticas permanentes de adequação da contrapartida pelos serviços prestados ao SUS e sim incentivos pontuais e transitórios”, afirma Júlio Dornelles de Matos.
Olhar otimista
Os dirigentes vinham conseguindo até 2011 manter a instituição com certo equilíbrio e garantem que um prejuízo anual de até 75 milhões de reais no atendimento ao SUS é suportável. Esse déficit a Santa Casa consegue absorver através de resultados obtidos com os estacionamentos, cafeterias, cemitério, convênios e atendimentos particulares. A gravidade do quadro é maior quando considerado o último reajuste da tabela do SUS, que data de 1996. De lá para cá o déficit vem se acumulando. “Em 2013 o prejuízo foi de 113 milhões de reais e em 2014 de 102 milhões, o que não é possível suportar”, afirma o provedor da Santa Casa, Alfredo Guilherme Englert. “A Santa Casa é de Misericórdia, mas não pode ser suicida”, acrescenta o provedor.
No entanto, a Santa Casa continua a olhar para o futuro com otimismo. Acaba de ser aberta a nova UTI do Hospital da Criança Santo Antonio, que incorpora dez leitos aos 30 já existentes, com atendimento de alta complexidade a pacientes pediátricos cardíacos, principalmente. A unidade foi construída com recursos arrecadados pelo grupo de mulheres Voluntárias pela Vida. O próximo passo é a ampliação e modernização das instalações e tecnologias do Hospital Santa Clara, “o hospital do futuro”, como diz o provedor, voltado a atender a todos os segmentos de público, principalmente aos pacientes do SUS. O investimento representa 204 milhões de reais na obra e na modernização do complexo.
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